Da Agência Brasil
Rio – O comércio eletrônico movimentou no Brasil, no ano passado, um volume superior a R$ 12 bilhões, envolvendo indústria automobilística, mobiliária e leilões. Segundo o diretor-executivo da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (Camara-e.net), Cid Torquato, a expectativa para 2006 é de crescimento de 50% sobre o faturamento registrado em 2005.
Ele baseia sua previsão no próprio desenvolvimento da economia digital e também no crescimento no número de usuários de banda larga. "Com o aumento desses usuários, em geral, as transações eletrônicas crescem", disse, em entrevista à Agência Brasil. "Hoje, cerca de 80% das pessoas que fazem transações pela internet são usuários de banda larga. Então, o crescimento da base obrigatoriamente gera um aumento das operações", acrescentou.
Atualmente, de acordo com estimativas do executivo, 18 milhões de pessoas fazem pesquisas na internet com o objetivo de compra. Dessas, mais de cinco milhões efetivam a transação digital, o que, na avaliação dele, mostra que no Brasil existe um universo de consumidores potenciais bastante expressivo.
Apenas o comércio eletrônico de bens de consumo, como livros, CDs, equipamentos de informática, eletrônicos e itens de saúde e beleza, deve movimentar R$ 3,9 bilhões neste ano no Brasil. De 2004 para 2005 já houve crescimento de 43% no comércio destes tipos de mercadoria pela internet.
Fundada em 2001, a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico é a principal entidade multisetorial da economia digital no Brasil e na América Latina. Ela reúne hoje 160 sócios representativos das empresas líderes de todos os setores da economia. Segundo Torquato, os sócios não se restringem apenas às empresas que vendem produtos pela internet, mas estão ligados ao funcionamento de toda a economia que passa por um processo acelerado de digitalização.
Segurança
Torquato acrescentou que, embora o índice de fraudes no comércio eletrônico seja baixo, ocorrendo com mais intensidade nas transações financeiras, a entidade está propondo a adoção da certificação digital para tornar mais seguras as operações realizadas via internet.
Ele afirmou que as fraudes resultam, em grande parte, da falta de precaução por parte do consumidor. "A gente precisa mudar essa percepção de insegurança em relação ao comércio eletrônico. Comprando em lojas conhecidas e idôneas, o risco é praticamente inexistente", avaliou, acrescentando que segurança é um aspecto importante para o desenvolvimento do setor e do país como um todo. "É fundamental que a gente caminhe para uma economia digital e para um ecossistema digital mais seguro, inclusive para fomentar o desenvolvimento de qualquer tipo de transação do comércio", observou.
O diretor defendeu a universalização do uso dos certificados digitais como forma de identificar as partes de uma transação, fazendo com que questões relativas a fraudes na economia digital caíssem a "níveis insignificantes, próximos a zero". A certificação é um sistema eletrônico que, em geral, vem representado em uma mídia física sob a forma de um cartão com chip ou com uma memória removível (portátil). Esse mecanismo é usado quando o usuário ou cliente precisa se identificar.

