São Paulo – O comércio exterior brasileiro, com saldo comercial de US$ 24,7 bilhões em 2008, foi responsável pela geração de 1,2 milhão de empregos no país. O número foi calculado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em um estudo que analisou o impacto do comércio internacional na geração de postos de trabalho.
Conforme o estudo, cujo método baseia-se nas contas nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as exportações do Brasil para os principais parceiros comerciais garantiram a geração de 5,6 milhões de vagas formais e informais no ano passado. No entanto, 4,4 milhões de empregos foram “exportados” com as compras externas.
Entre os países e blocos econômicos analisados, apenas a China teve contribuição negativa, de 303 mil vagas, para o saldo positivo de 1,2 milhão de empregos gerados com o comércio internacional. As trocas com a China, que teve participação negativa de 15% no saldo comercial brasileiro, foram responsáveis pela criação de 611 mil empregos e perda de 914 mil postos de trabalho com as importações.
“A China vende produtos com mais trabalho agregado (bens de consumo), e o Brasil exporta mais recursos naturais. Nossas vendas para os chineses são pouco diversificadas”, explica o gerente do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp, André Rebelo.
As exportações nacionais para a União Européia geraram quase 700 mil vagas internas. As trocas com Estados Unidos foram responsáveis pela criação de 167 mil empregos, o Mercosul 212 mil e, com o restante da América Latina, 430 mil. Dos parceiros selecionados, o Brasil só possui déficit comercial com a China – aproximadamente US$ 3,6 bilhões em 2008.
Os cinco maiores setores que vendem produtos para a China concentram 88% da cesta de exportações. Entre eles, a soja em grão (38,7%) e o minério de ferro (35,5%). Já as importações são mais diversificadas: os cinco principais segmentos respondem por 48% da pauta. No topo da lista, produtos químicos orgânicos e materiais eletrônicos.
As compras de bens de consumo chineses foram responsáveis pelo maior saldo negativo de empregos (291 mil vagas). O maior saldo positivo veio das negociações de matérias-primas com o país asiático – 366 mil postos (77%). De acordo com o levantamento, apesar dos elevados valores das exportações para a China, poucos empregos são criados: Nas vendas de matérias-primas, para cada milhão de dólares exportado cria-se, em média, 29,6 empregos. Nas compras de bens de consumo, para cada milhão de dólares importado perde-se, em média, 74,5 postos de trabalho, concentrados nos setores de vestuário, têxtil, couro e calçados, borracha e plástico, móveis.
Em cinco anos, o saldo de empregos no comércio Brasil-China caiu 326%. Em 2003, as trocas comerciais entre os países geravam um saldo positivo de 134 mil vagas. Em 2006, houve uma inversão de cenário: perda de 58 mil vagas, número que se intensificou em 2007 (-183 mil) e 2008 (-303 mil).

