São Paulo – A Comissão Mista Brasil-Iraque vai se reunir em outubro pela primeira vez em duas décadas. Esse tipo coletivo bilateral existe para discutir os temas mais relevantes nas relações entre dois países, e é composto por representes de várias áreas dos governos envolvidos e da iniciativa privada. Os encontros são periódicos, mas no caso do Iraque eles não ocorrem desde a Guerra do Golfo, no início dos anos 90.
Na semana passada, o Itamaraty convidou órgãos do governo e entidades brasileiras para uma reunião prévia em Brasília, entre elas a Câmara de Comércio Árabe Brasileira, representada por seu CEO, Michel Alaby. Foram levantados temas atuais para discussão no encontro da comissão, que vai ocorrer na sede do Ministério das Relações Exteriores (MRE), na capital brasileira.
Segundo informações do Itamaraty, entre os assuntos citados estão novas exigências feitas pelo Iraque para a importação de carnes brasileiras, o comércio de hidrocarbonetos (petróleo, gás e derivados), investimentos, serviços e a negociação de um acordo de comércio entre o país árabe e o Mercosul, que reúne Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
No último caso, de acordo com o MRE, o Iraque já pediu abertura de tratativas ao bloco sul-americano, mas elas ainda não foram iniciadas, pois é preciso consenso entre os quatro sócios. Haverá um esforço diplomático para que esse consenso seja atingido até a realização da reunião da comissão.
Brasil e Iraque tiveram, até o final dos anos 80, forte relação comercial, que foi praticamente interrompida durante e após a Guerra do Golfo. O comércio ressurgiu nos últimos anos, mas ele ainda é instável e não atingiu os patamares do passado.
Para se ter uma ideia, em 1982, a corrente comercial entre os dois países, soma de exportações e importações, foi de US$ 2,9 bilhões, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). No ano passado, ela foi de pouco mais de US$ 1 bilhão, bem abaixo da média da década de 1980. De janeiro a agosto de 2011, o fluxo chegou a US$ 656 milhões.
“Estamos colocando as relação com Iraque em nova perspectiva”, disse o futuro embaixador do Brasil em Bagdá, Anuar Nahes, hoje responsável pela embaixada em Doha, no Catar. “Éramos dois regimes autoritários quando o intercâmbio floresceu nos anos 70. Mudaram os dois regimes, mudaram nossos respectivos entornos regionais, mudou o mundo. É hora, portanto, de reequacionar o relacionamento bilateral. Uma comissão mista, pela sua abrangência, é o melhor caminho para tanto”, concluiu.

