São Paulo – A comemoração do Dia Nacional da Comunidade Árabe promovida pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira na noite desta quarta-feira (25), no Esporte Clube Sírio, em São Paulo, teve presença maciça de membros da coletividade, empresários, diplomatas e políticos. A festa foi coroada com a revelação dos vencedores e a entrega dos prêmios do concurso de cinema Os Árabes e a 25 de Março.
O presidente da Câmara Árabe, Marcelo Sallum, disse que o concurso estimulou a pesquisa sobre a história da imigração árabe no Brasil e sua relação com a Rua 25 de Março, tradicional centro de comércio na capital paulista. “De lá (da 25) saíram ideias e recursos para a realização das principais obras da nossa comunidade, entre elas a Câmara de Comércio Árabe Brasileira”, destacou.
Sallum contou um pouco sobre local onde imigrantes árabes se instalaram a partir do final do século 19 e trouxe algumas histórias. Disse, por exemplo, que a rua chamava-se originalmente Beco das Sete Voltas, em referencia às sete voltas do Rio Tamanduateí, hoje canalizado, mas que antigamente passava ali perto, onde havia um porto que recebia mercadorias e que deu nome à Ladeira Porto Geral, que liga a Rua Boa Vista à 25.
Para quem conhece São Paulo essas referências bastam, mas para quem não conhece, vale dizer que estas vias são das mais movimentadas entre as mais movimentadas da metrópole.
Sallum disse também que já em 1901 existiam 500 lojas na região, mas hoje são mais de 3,3 mil, segundo a União dos Lojistas da 25 de Março (Univinco). E algumas curiosidades: além de no passado ter “incubado” algumas representantes da nascente indústria brasileira, foram os imigrantes árabes que lá se estabeleceram que introduziram o crediário e as liquidações no Brasil!
O presidente do Icarabe, Salem Nasser, ressaltou que a cultura árabe é parte da cultura brasileira, em função da influência dos imigrantes, e comemorou a resposta provocada pelo concurso de cinema. “Estou extremamente feliz com o sucesso do concurso de cinema e espero também que o sucesso artístico tenha sido atingido”, declarou.
Nasser ressaltou a “grande parceria” existente entre o Icarabe e a Câmara. “Não há ninguém melhor entre os nossos parceiros do que a Câmara Árabe”, afirmou. As duas entidades já colaboraram em diversas atividades.
O secretario da Cultura do Estado, Marcelo Matos Araújo, afirmou que a realização do concurso foi importante não só para preservação da memória de um grupo de imigrantes, mas para a cidade e o estado de São Paulo, e acrescentou: “É uma ação de extrema relevância para o nosso País!”
O decano do Conselho dos Embaixadores Árabes e embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzeben, fez referência à esfiha, parte das lembranças de infância citadas pelo presidente da Câmara Árabe em seu discurso. “É uma digital que os imigrantes deixaram e que é parte da personalidade e da cultura do Brasil”, declarou. O quitute pode ser apreciado em qualquer lugar no País.
O diplomata também transmitiu à plateia “o carinho, o respeito e a admiração ao povo da Síria”, país que está em guerra civil e que tem muita ligação com o Brasil por meio dos imigrantes.
“Somos capazes de enfrentar o terrorismo e terroristas com muita determinação”, disse ele em nome do embaixadores árabes. Alzeben ainda lembrou a todos de seu país, “que vive sob o jugo da colonização e da ocupação”.
Ele ressaltou, porém, a “interlocução entre a nossa milenar cultura árabe e a bela e vibrante cultura do Brasil”, que gerou “conquistas e realizações no Pais”.
O embaixador do Omã, Khalid Salim Al Jaradi, ainda entregou ao presidente da Câmara Árabe uma peça de artesanato em madrepérola produzida na Palestina. “Este é o dia de todos os árabes no Brasil”, declarou.
A comemoração foi patrocinada pela Ras Al Khaimah Free Zona (RAK FTZ), zona franca nos Emirados Árabes Unidos, pela Emirates Airline e Hotel Tivoli, com apoio do Clube Sírio, Clube Atlético Monte Líbano e Grupo Bandeirantes.


