São Paulo – Começou nesta terça-feira (04) em Doha, no Catar, o segmento de alto nível da Conferência das Nações Unidas sobre as Partes (COP18), que discute propostas para reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa. A principal proposta em questão, e que está travada pelas negociações, é a extensão do Protocolo de Kyoto até 2020.
Por enquanto, apenas países que correspondem a 15% das emissões globais se comprometeram com a prorrogação de Kyoto. É o caso das nações da União Europeia. Por outro lado, a Nova Zelândia ameaçou abandonar as negociações porque acredita que o Protocolo de Kyoto é "inoperante" e que não faz sentido participar de um acordo que não é assinado por grandes emissores. Já Rússia e Polônia querem aumentar ou manter as emissões na segunda fase porque não emitiram tudo o que poderiam na etapa anterior.
Assinado em 1997 em Kyoto, no Japão, este acordo determinou que as nações signatárias dele deveriam reduzir em 5,2% as emissões de gases causadores do efeito estufa entre 2008 e 2012 em relação ao que emitiam em 1990. Os negociadores dos 194 países que participam da conferência, e a partir desta semana os ministros destas nações, chegaram ao Catar com a missão de negociar a extensão do Protocolo de Kyoto até 2020, porém com novas regras e com a participação de países que não precisaram assumir normas naquela ocasião, como é o caso da China. Além disso, os Estados Unidos não aderiram ao protocolo.
As nações negociam agora a extensão deste acordo até 2020 porque será neste ano que um novo e mais abrangente tratado deverá entrar em vigor e substituir Kyoto. Estes não são os únicos interesses que ameaçam a prorrogação do protocolo, que expira em 31 de dezembro deste ano. Também são temas de debates as formas de financiamento para desenvolver projetos que sejam mais "limpos", a propriedade intelectual sobre novas tecnologias e a educação e transferência de conhecimento sobre a redução de emissões.
Na abertura dos encontros de alto-nível, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, lembrou, em seu discurso, que o desafio de reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa é de todos os países porque as consequências também irão afetar todos.
"Não nos deixemos iludir. Isto é uma crise. Uma ameaça a todos nós, nossas economias, nossa segurança e ao bem estar de nossos filhos e daqueles que virão depois deles", alertou Ki-Moon para depois defender a continuação do tratado atual.
"O Protocolo de Kyoto continua a ser o mais próximo que temos de um acordo global sobre o clima. Ele deve continuar, é uma fundação sobre a qual devemos edificar. Ele tem importantes instituições, incluindo os sistemas contábil e jurídico e estruturas que os mercados tanto necessitam. Sua continuação, em 1º de janeiro de 2013, mostraria que os governos permanecem comprometidos com um acordo climático mais robusto”, disse Ki-Moon.

