Rio de Janeiro – O apoio às exportações, por meio da concessão de mais financiamento, e a luta contra o protecionismo para combater a crise externa são consenso entre os países que integram o Conselho Empresarial da América Latina (Ceal), disse à Agência Brasil o presidente do diretório da entidade no Brasil, ex-ministro da Agricultura Marcus Vinicius Pratini de Moraes.
Pratini afirmou que os países vão se empenhar pela redução do protecionismo, “sobretudo no que se refere às restrições de acesso a mercado”. Citou, como exemplo, as restrições do Chile e da Europa para a importação de carne. Ele disse que as restrições afetam, além da carne, produtos exportados pela América do Sul, como frutas e flores.
“Há um certo consenso em torno da idéia de que, para vencer a crise financeira, um instrumento importantíssimo é o desenvolvimento do comércio internacional. Por isso, são precisos mecanismos para financiá-lo e, o segundo ponto é que é preciso assegurar acesso a mercados, combatendo o protecionismo”, disse.
Ontem (16), 70 empresários dos 18 países da Ceal participaram da primeira reunião do diretório brasileiro, no Rio.
Os empresários estiveram na Petrobras e, depois, com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, que apresentou as linhas de financiamento da instituição e sua atuação na América Latina, onde apóia projetos de integração de países da região. Segundo Pratini, o presidente do BNDES manifestou que a instituição está aberta para fazer operações “cruzando fronteiras”, ou seja, em países da região.
De acordo com o presidente do Ceal/Brasil, os empresários ficaram interessados nas condições de empréstimo do BNDES e convidaram Coutinho a fazer uma apresentação, em breve, na América Central, sobre o processo de internacionalização das operações da instituição, “que é um estímulo para a maior integração da América Latina”. Os empresários falaram também da importância do BNDES ampliar os financiamentos à exportação de empresas nacionais e latinas, “sobretudo porque o sistema privado está muito aquém de atender às necessidades”, informou Pratini.
O grupo do Ceal visitou ainda o empresário Eike Batista, dono do grupo EBX. Hoje (17), os empresários realizam a reunião anual do Conselho. A idéia é traçar estratégias nas áreas do agronegócio, automotiva, telecomunicações e alimentícia, entre outras, com objetivo de aumentar a economia dos países-membros do grupo no enfrentamento da crise internacional.
O encontro contará com a presença dos presidentes internacional do Ceal, Jorge Zablah; da Fiat da Argentina, Cristiano Rattazzi; e do conselho administrativo da Sadia, ex-ministro Luiz Fernando Furlan.

