São Paulo – O ministro de Infraestrutura e Obras Públicas da Líbia, Abuzeid Omar Dorda, se encontrou ontem (02), em Trípoli, com o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira , Salim Taufic Schahin, e afirmou que o país está aberto a receber novos parceiros internacionais. Ele quer ver empresas brasileiras inseridas em projetos de construção e modernização no seu país.
"Aqui (na Líbia) haverá um grande programa de desenvolvimento imobiliário, então vejo oportunidades nesse setor de construção. Haverá um grande mercado consumidor”, afirmou Schahin. Segundo o assessor do presidente, Zein El Abedin Said, que acompanhou o encontro, o governo líbio tem projetos para desenvolver toda a capital de Trípoli e outras cidades.
A estatal do setor de petróleo, National Oil Corporation (NOC), também quer uma maior presença de empresas brasileiras. Schahin esteve com o vice-presidente da empresa, Faraj Said, que falou da presença da Petrobras na Líbia e do interesse de importar equipamentos e serviços brasileiros desse setor.
Ainda ontem, o presidente da Câmara Árabe também esteve com o diretor-geral da Libyan Investment Holding Company, Hussein Darrat. Eles falaram sobre parcerias e joint-ventures entre empresas e atração de investimentos brasileiros para o país árabe. Outro encontro foi com o presidente da Federação das Câmaras de Comércio e Indústria da Líbia, Jumaa Al Ufta. Segundo o Said, o presidente da Câmara Árabe colocou a entidade à disposição para ajudar e estreitar os laços comercias entre as empresas dos dois países.
Balança comercial
Para equilibrar a balança comercial entre o Brasil e a Líbia, que hoje é deficitária para o Brasil, Schahin afirmou que as empresas brasileiras precisam investir mais em marketing e promoção de produtos na Líbia. “É preciso vir aqui e mostrar a cara, procurar parcerias, mostrar produtos e preço”, disse Schahin, que participou nesta quinta-feira (02) da abertura da Feira Internacional de Trípoli.
“Acredito que a Líbia quer receber as empresas brasileiras de braços abertos. Há muitas oportunidades aqui”, afirmou Schahin. Segundo ele, o país árabe ficou muito tempo fechado para o mercado externo, mas de uns anos para cá vem se abrindo cada vez mais e recebendo muitas empresas, principalmente da Europa.
Schahin lembra da importância do mercado líbio para o governo brasileiro, que no início do ano organizou uma missão empresarial ao Norte da África, chefiada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge.
De acordo com ele, o Brasil tem muito potencial para aumentar as exportações para Líbia e equilibrar a balança comercial. “Podemos até nos tornar superavitários, mas temos que ser mais agressivos no mercado”, afirmou Schahin. No ano passado, as exportações brasileiras para a Líbia renderam US$ 373 milhões e as importações do país árabe somaram US$ 1,4 bilhão.
Estande brasileiro
A 38ª Feira Internacional de Trípoli foi inaugurada ontem no final da tarde e foi aberta somente para empresários. O estande da Câmara Árabe recebeu cerca de 50 visitantes, a maioria da Líbia, mas também passaram empresários do Sudão, Rússia e Egito. De acordo com o assistente de marketing da entidade, Filipe Gouveia Ferraz, o setor de alimentos foi o mais procurado. Carnes, açúcar, café, leite e queijo foram os principais produtos pedidos pelos empresários.
O trader Eduardo Moraes, da Latinex, trading de alimentos, afirmou que o mercado líbio está mais aberto e mais receptivo. “Estou aqui para encontrar novas empresas e reativar contatos antigos”, disse ele, que já exporta matéria-prima para sucos para indústrias da Líbia.

