Isaura Daniel
São Paulo – Um grupo de empresários brasileiros do setor de construção civil vai fazer uma missão para Abu Dhabi e Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, entre os dias 20 e 30 de abril. São cerca de 20 proprietários e diretores de empresas que pretendem conhecer de perto a tecnologia empregada na construção civil no país árabe. "Os Emirados estão com obras muito ousadas, têm projetos arrojados", explica Salvador Benevides, diretor da Projeto Engenharia e integrante do Comitê de Tecnologia e Qualidade do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP).
O grupo pretende visitar tanto obras em execução quanto acabadas. Os Emirados têm vários megaprojetos em andamento, tais como o Burj Dubai, um prédio que pretende ser o mais alto do mundo, com 189 andares, e vai funcionar dentro de um complexo residencial, comercial e de lazer avaliado em US$ 8 bilhões; e um parque temático da Fórmula 1, com local para eventos esportivos, hotel e centro de convenções, que consumirá US$ 360 milhões. O país também abriga obras como Burj Al Arab, considerado o hotel mais luxuoso do mundo, e ilhas artificiais como a Palm Jumeirah, em formato de palmeira.
"Dubai hoje é um pólo em construção civil, o que há de mais moderno está sendo feito lá", diz o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Antonio Sarkis Jr. A entidade está ajudando os empresários a organizar a viagem. De acordo com Benevides, responsável pelo grupo na missão, o objetivo da viagem não é fazer negócios. "Mas eles podem vir naturalmente", esclarece o empresário.
Sarkis acredita que há oportunidades para as empresas brasileiras de construção civil nos Emirados e também nos demais países árabes, já que eles estão fazendo altos investimentos em infra-estrutura. "O mercado árabe está se destacando também no setor de construção civil", ressalta Sarkis.
Entre as empresas que vão participar da missão estão a Tecnum Consturora, a DP Engenharia, a Lucio Engenharia, a BKO Engenharia e a Projeto Engenharia. Os nomes de todas as participantes ainda não estão totalmente confirmados. De acordo com Benevides, o grupo é formado por empresas que estão entre o médio e o grande porte.
Há mais de dez anos estes empresários participam de forma conjunta em feiras e missões nacionais e internacionais. No ano passado, por exemplo, eles estiveram em Alagoas e no Chile. Além da América do Sul, o grupo já viajou também para países da Europa, como Noruega e Finlândia, e para os Estados Unidos.
Eles viajam cerca de duas vezes ao ano para conhecer desde as tecnologias empregadas em cada país e os métodos executivos até as políticas voltadas para o setor. A maior parte das empresas que integram o grupo – construtoras, incorporadoras e consultorias – faz parte do Comitê de Tecnologia e Qualidade do Sinduscon-SP.
Construção do Brasil
O setor de construção civil abriu no ano passado 75.940 vagas formais no Brasil. O número de postos de trabalho abertos foi 5,9% maior do que no ano anterior, de acordo com pesquisa do SindusCon-SP e da GVconsult, com base em dados do Ministério do Trabalho. O que mais pesou no crescimento foram as contratações para serviços de construção, como aluguel de equipamentos, incorporação de imóveis e engenharia e arquitetura. O setor emprega cerca de 1,4 milhões de pessoas no país.
Há no Brasil várias construtoras que já conseguiram prestígio no mercado internacional, tais como Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Norberto Odebrecht, e executam projetos fora do Brasil. O Odebrecht é a empresa líder no segmento de engenharia e construção na América Latina.

