São Paulo – Uma empresa brasileira é a responsável por fazer funcionar um dos mais novos projetos da Arábia Saudita: o hospital da Universidade Princesa Noura, em Riad, na Arábia Saudita. A Symnetics, fundada e dirigida por Mathias Mangels, foi contratada pelo governo saudita para colocar em funcionamento até 2014 os 600 leitos deste hospital dedicado às mulheres.
A equipe da Symnetics, que no exterior atua com o nome de Tantum, tem a missão de contratar e treinar os profissionais do hospital, determinar as estratégias e a atuação dele e criar a hierarquia da nova instituição. A empresa foi contratada pelo governo saudita em maio de 2012 por ter entre suas áreas de atuação experiência na gestão hospitalar.
Antes de cruzar as fronteiras, a Symnetics ajudou a selecionar profissionais e a adotar os procedimentos que tornaram o Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, uma referência internacional. "Foi o aprendizado no Brasil que nos levou a crescer no exterior", diz Mangels.
O hospital saudita ficará dentro da Universidade Princesa Noura, que tem mais de 50 mil alunas. Os dois foram criados para receber apenas as mulheres sauditas. O hospital tem um orçamento de US$ 100 milhões por ano na fase de implantação, valor que deverá diminuir quando ele já estiver em operação. No caso do hospital, os filhos das mulheres sauditas poderão ser tratados lá. Em algumas ocasiões, até os maridos das sauditas poderão receber atendimento. O foco, contudo, é a saúde da mulher.
Neste projeto, a empresa brasileira também é responsável por determinar as estratégias deste hospital, como, por exemplo, sua área de atuação. "Será um hospital com foco na mulher, então, temos de pensar: em quais áreas da medicina nós queremos ser muito bons?", cita Mangels como exemplo de estratégia que precisa definir para o hospital.
Atualmente, algumas áreas de pronto atendimento já estão em operação e até o fim deste ano, 150 leitos já deverão estar ocupados. Para colocar o complexo em funcionamento, a empresa precisa enfrentar alguns desafios característicos da realidade local. Embora existam prazos, Mangels observa que "não existe tanta consciência de ganho de tempo" e que na Arábia Saudita os procedimentos são mais lentos do que no Brasil. Além disso, a atuação da mulher no mercado de trabalho local é restrita.
"As mulheres são muito bem aceitas em áreas como educação e recursos humanos. Mas na área médica, por exemplo, há algumas restrições", diz Mangels. Mesmo com essas restrições, a diretoria clínica será chefiada por uma mulher.
Mais projetos
O hospital da Universidade Princesa Noura não é o maior nem o único projeto da empresa na região. Fundada há 23 anos no Brasil, a Symnetics abriu seus primeiros escritórios no exterior na América Latina em 1994. Há 12 anos a Symnetics abriu escritórios na Alemanha, Inglaterra, Suíça, Áustria e Itália. A expansão para o Oriente Médio começou em 2005, quando a Symnetics atuou em parceria com uma companhia inglesa em Dubai.
"Tivemos contato com o Emir de Dubai quando eles estavam desenvolvendo diversos projetos em áreas como segurança e negócios", diz Mangels. Em 2007 a empresa abriu um escritório em Dubai, depois na Arábia Saudita e no Catar.
A atuação da Symnetics não se restringe à área hospitalar, mas esta é uma das mais importantes. O setor de helthcare (saúde), que também compreende indústria farmacêutica e laboratórios, é um dos que a Symnetics classifica como "centro de competência" dentro da sua hierarquia. Outros “centros de competência” são, por exemplo, os setores químico, petroquímico e de mineração.
A Symnetics tem outra consultoria em andamento, no Ministério do Trabalho, e participa de uma licitação de um projeto de e-government, ambos na Arábia Saudita. Também atuou em outros países da região, como Omã.
Mangels não revelou qual é o faturamento da empresa. Ele afirma, contudo, que o Oriente Médio tem apresentando grande crescimento nos negócios. "Na Arábia Saudita, por exemplo, crescemos de 50% a 60% ao ano", diz. Enquanto isso, o crescimento na América Latina não passa de 20%. Ele acredita que os negócios nos países árabes ainda podem crescer muito, especialmente na Arábia Saudita, por causa do mercado aquecido e em expansão.

