Brasília – A fraca atividade econômica está influenciando no resultado das contas externas brasileiras. O saldo negativo das transações correntes – compras e as vendas de mercadorias e serviços do Brasil com o mundo – ficou em US$ 2,547 bilhões em junho e em US$ 38,282 bilhões no acumulado do primeiro semestre, segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (22) pelo Banco Central (BC). O resultado do mês passado ficou abaixo dos US$ 3,5 bilhões previstos pelo BC.
Em comparação com o primeiro semestre do ano passado, o déficit caiu 23,4%. Em junho isoladamente, houve recuo de mais de 50% sobre o mesmo mês de 2014. Para o ano, o BC espera que o saldo negativo das transações correntes fique em US$ 81 bilhões, contra US$ 104,740 bilhões registrados em 2014.
Um dos itens das contas externas que mostram essa influência são as viagens internacionais. Com a menor atividade econômica e o dólar em alta, sobra menos dinheiro para os brasileiros viajarem. Em junho, por exemplo, houve redução de 17,43% nessas despesas (US$ 1,649 bilhão) em relação ao mesmo período de 2014. No primeiro semestre, essas despesas somaram US$ 9,940 bilhões, um recuo de 20% em relação ao mesmo período do ano passado.
Além da queda na conta de serviços (viagens internacionais, transportes, aluguel de equipamentos, seguros, entre outros) e de renda primária (lucros e dividendos, pagamentos de juros e salários), aumentou o saldo positivo da balança comercial (exportações maiores que importações).
Segundo o chefe adjunto do Departamento Econômico do BC, Fernando Rocha, a “principal surpresa” de junho foi o maior superávit comercial, que chegou a US$ 4,398 bilhões, o maior resultado desde junho de 2009.
Rocha destacou ainda que o déficit em transações correntes em junho foi integralmente financiado por investimento direto no País (IDP). Quando há déficit em conta-corrente, é preciso financiar esse resultado com investimentos estrangeiros ou tomar dinheiro emprestado no exterior. Os investimentos estrangeiros diretos são considerados a melhor forma de financiamento por serem de longo prazo.
Em junho, o IDP chegou a US$ 5,397 bilhões, e acumulou US$ 30,918 bilhões no primeiro semestre. “Em junho, financiou mais que integralmente o déficit em conta-corrente. No primeiro semestre, financiou 81%, constituindo a principal fonte de financiamento das transações correntes”, disse Rocha.
O executivo disse ainda que o ingresso de investimentos em ações no País continua estável e está alinhado com a projeção do BC de US$ 15 bilhões para o ano. O investimento em ações negociadas no Brasil e no exterior chegou a US$ 791 milhões no mês passado e a US$ 10,810 bilhões nos seis primeiros meses de 2015. “A taxa de câmbio mais desvalorizada, para o investidor, que tem sua receita em divisas estrangeiras, torna as ações mais baratas”, avaliou Rocha.
*Com informações da redação da ANBA


