Omar Nasser, da Fiep*
Curitiba – As cooperativas do Paraná faturaram US$ 50 milhões a mais com exportações para os países árabes em 2004 com relação a 2003. A cifra representou um salto de 20% no comércio exterior do setor cooperativista do estado com as nações do Oriente Médio e Norte da África. A receita com as vendas subiu, no período, de US$ 248 milhões para US$ 298 milhões. Os principais produtos comercializados foram carne de frango, açúcar e produtos do complexo soja, especialmente óleo e farelo.
As cooperativas paranaenses responderam também por metade das exportações de todo o setor no Brasil em 2004. Dos US$ 2 bilhões vendidos no ano passado, o Paraná participou com US$ 992,21 milhões. Em segundo lugar veio São Paulo, com US$ 412,68 milhões (21%), seguido pelo Rio Grande do Sul, com um volume exportado de US$ 220,66 milhões (11% do total).
De acordo com levantamento divulgado pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), entre os dez maiores mercados do setor dois são árabes. O destaque são os Emirados Árabes Unidos, o terceiro maior comprador das cooperativas brasileiras. No ano passado o país importou US$ 132,9 milhões, ficando atrás apenas da China, o maior importador, com US$ 328,3 milhões, e da Alemanha, com US$ 198,3 milhões.
Segundo a OCB, 94% das importações dos Emirados feitas junto às cooperativas dizem respeito ao açúcar (um total de US$ 124 milhões). A Argélia foi o décimo maior parceiro comercial do setor, e gastou, no ano passado, US$ 61,2 milhões com produtos de cooperativas brasileiras.
Prioridades
De acordo com o assessor econômico da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), Robson Mafioletti, a participação significativa das cooperativas paranaenses nas exportações totais do setor é resultado da profissionalização administrativa.
Em outubro do ano passado, a entidade celebrou um convênio com a Fundação Getúlio Vargas, que possibilitou a criação de um curso de especialização em Comércio Exterior. Hoje 40 profissionais, de 16 cooperativas do setor agropecuário do Paraná, participam do curso. Três módulos já foram concluídos. Outros três serão realizados este ano.
Entre as prioridades fixadas pelos executivos das cooperativas está o mercado externo. Dentro do projeto de internacionalização, os árabes despontam como opção cada vez mais atraente. "São países bons para trabalhar. Eles vêm, vistoriam os abatedouros, dão a certificação (que comprova o respeito aos procedimentos islâmicos de abate) e fazem os pagamentos de acordo com o contrato", observa Mafioletti. Outro foco de atenção é a China.
Diversificação
De olho nas oportunidades que as nações árabes oferecem, as cooperativas paranaenses investem na diversificação. Forte em carne de aves, o Paraná não tem número significativo de abatedouros e frigoríficos para produção de carne bovina. Se depender das cooperativas, no entanto, esta realidade vai mudar em breve.
A Coopavel, de Cascavel, por exemplo, está implantando um projeto piloto de abate de bovinos. A Corol, de Rolândia, está investindo US$ 30 milhões na construção de um frigorífico com capacidade para abater 1.500 animais por dia. Para a cooperativa, os árabes poderão vir a se tornar um potencial comprador. Negociar o produto com estes países não é problema, garante Mafioletti, pois o canal de negociação já está aberto: a cooperativa vende carne de aves para os países da região.
As cooperativas constituem um dos segmentos mais significativos da economia paranaense. Sozinhas, respondem por 55% do PIB agropecuário estadual, o que significou, em 2004, um valor de R$ 18 bilhões. Geram 45 mil empregos diretos e cerca de 100 mil indiretos. No Paraná, há 210 cooperativas, das quais 68 atuam na agropecuária.
*Federação das Indústrias do Estado do Paraná

