Isaura Daniel
São Paulo – As cooperativas brasileiras exportaram juntas US$ 177 milhões para os países árabes nos seis primeiros meses deste ano. Elas foram responsáveis por 9,51% do faturamento que o Brasil obteve com exportações para a região no período. "Os países árabes são tradicionalmente atendidos pelas cooperativas nas áreas de açúcar e carne de frango", explica Júlio Pohl, assessor técnico da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), responsável pelo levantamento.
As duas nações que mais compraram de cooperativas brasileiras no Norte da África e Oriente Médio foram Emirados Árabes Unidos e Marrocos. A receita com vendas para os Emirados alcançou US$ 64,7 milhões e para o Marrocos US$ 34,2 milhões. O comércio das cooperativas com os marroquinos ficou praticamente estável em relação ao mesmo período do ano passado, com aumento de apenas 3,5%, mas as vendas para os Emirados cresceram 121%, com uma receita de US$ 35,5 milhões a mais.
De acordo com Pohl, além do açúcar e das carnes de frango, outros dois produtos representativos no comércio das cooperativas com os árabes são as carnes bovinas e o trigo. O assessor afirma que o trigo brasileiro está começando a ser consumido em países como Iêmen, Marrocos, Tunísia e Argélia e a carne bovina das cooperativas é vendida no Kuwait, Arábia Saudita e Líbano.
Acima das expectativas
O desempenho das exportações das cooperativas no primeiro semestre deste ano ultrapassou até as próprias expectativas da OCB, de acordo com Pohl. Juntas elas exportaram US$ 1,05 bilhão, com um crescimento de 85% sobre os mesmos meses de 2003. O número inclui as vendas de 150 empresas de 13 ramos de atividade, tanto da área agrícola como industrial e artesanal.
Os produtos mais exportados, porém, foram os agrícolas. As cooperativas ligadas ao setor rural representam cerca de 95% das que participam do mercado internacional. A soja e seus derivados (farelo e óleo) são de longe os produtos mais vendidos por elas no mercado internacional e responderam por US$ 470 milhões ou 44,5% do total faturado até junho. O segundo produto com melhor desempenho no período foi o açúcar, com US$ 92 milhões de receita.
O assessor técnico da OCB atribui grande parte do aumento do faturamento das cooperativas com exportação à alta dos preços das commodities no mercado externo. No mês de junho, a soja em grãos subiu 33,6% em relação ao mesmo mês do ano passado, a carne bovina 27%, o milho 19% e o algodão 18%.
Outro fator que pode ter influenciado no aumento das vendas externas, segundo Pohl, é a antecipação dos embarques. "Como o mercado externo está melhor do que o interno, as cooperativas podem ter aproveitado para vender e fazer caixa", diz. Tanto que os volumes exportados também cresceram, apenas em menor proporção. Foram quatro bilhões de toneladas embarcadas, 73% a mais do que de janeiro e junho de 2003.
Crescimento sustentado
Pohl diz que as exportações também são fruto do crescimento sustentado, baseado no trabalho que as cooperativas estão desenvolvendo para produzir mais e vender fora do país. "Há cooperativas que não exportavam e começaram a exportar e também há as que interromperam suas exportações por um período e agora voltaram", diz.
Cerca de dez novas empresas se incorporaram ao grupo das exportadoras do ano passado para cá, conforme Pohl. O segmento teria, porém, potencial para exportar ainda mais, já que existem 7.355 cooperativas apenas nos registros da OCB. "Duas mil poderiam exportar", diz o assessor.
Os clientes
A União Européia foi a responsável pelo maior volume de compras das cooperativas brasileiras no primeiro semestre deste ano, com US$ 378,6 milhões, seguida da Ásia (incluindo Japão), com US$ 312 milhões.
Os países árabes responderam por 16,7% das importações no período, mas têm potencial para crescer como clientes das cooperativas brasileiras, de acordo com Pohl. "As exportações para os árabes ainda estão muito restritas a alguns produtos", diz.
Além de manter os envios de açúcar e aumentar os de carne de frango, o assessor acredita que o setor também poderia vender para a região produtos como móveis. "O design brasileiro de móveis para escritórios é bem aceito no mundo", diz.

