Geovana Pagel
São Paulo – Com possibilidade de bater todos os recordes de visitação internacional, começa hoje (13) a 31.ª edição da Feira Internacional de Calçados, Artigos Esportivos e Artefatos de Couro, a Couromoda 2004. A cerimônia de abertura acontece às 10h30, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo. Até o dia 16 de janeiro são aguardados compradores de mais de 60 países, gerando grandes oportunidades de exportação.
O evento abre o calendário das grandes feiras de negócios e de moda no país, vai reunir 915 empresas e cerca de 1.500 marcas de calçados e acessórios de moda, ocupando 45.000 metros quadrados de estandes. Os expositores da feira representam 15 estados brasileiros e respondem por 85% da produção nacional de calçados.
Em 2003 a Couromoda gerou negócios, concretizados na feira e ao longo do 1.º semestre, na faixa de R$ 2,7 bilhões. Para 2004 a estimativa de geração de negócios fica entre R$ 3,5 e 4 bilhões.
A Couromoda é responsável por aproximadamente 25% do faturamento anual do setor calçadista, que fatura anualmente R$ 20 bilhões. Sendo que R$ 15 bilhões são destinados para o mercado interno e R$ 5 bilhões para o mercado externo.
O presidente da Couromoda, Francisco Santos, disse que a Couromoda será, mais uma vez, o grande indicador de comportamento de vendas para o setor e que a edição deste ano apresenta 14% de crescimento em relação à edição anterior. “Três mil pessoas estão envolvidas na montagem da feira e, durante os quatro dias do evento, cerca de 12 mil pessoas vão trabalhar nos estandes para atender mais de 55 mil visitantes”.
Quanto ao mercado internacional, Santos destaca alguns fatores positivos para o calçado brasileiro, como a retomada de crescimento nos Estados Unidos e na América Latina, a força do euro e o alto custo da fabricação européia.
Quanto à China (maior produtor mundial de calçados) ele destacou alguns fatores determinantes que tornam o empresário brasileiro mais competitivo: abundante matéria-prima, design atualizado, venda também de pequenas quantidades e logística bem desenvolvida.
A estimativa dos organizadores da feira é de que os visitantes da Europa devem superar 300 nomes, o dobro da edição passada.Também já está confirmada a presença de um grupo de 20 compradores espanhóis, que vêm à feira por meio de um acordo firmado entre a Couromoda, o moddo.com (portal internacional dedicado à área de calçados, do Grupo da Telefonica) e o Banco BBVA, que oferece a estes compradores linha de crédito pré-aprovada.Outra boa novidade é a presença de um grupo de lojistas da Grécia, representando mais de 100 lojas.
Árabes
Grandes cadeias varejistas árabes, como a RNA Resources Group – Landmark Group e Abdul Grafoor Amim & Co, com 194 lojas espalhadas pelo Oriente Médio, também devem participar da Couromoda atrás dos calçados brasileiros, principalmente das sandálias de couro. Na edição de 2003 somente a Arábia Saudita enviou seis compradores para o Brasil.
Principais clientes dos calçados brasileiros, 200 compradores norte-americanos são aguardados, incluindo os 75 varejistas ligados à NSRA, que vêm à Couromoda por meio do Projeto Comprador, da Agência de Promoção das Exportações do Brasil (Apex), e da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).
Do México (4.º melhor mercado para o calçado brasileiro), também são esperados mais de 200 compradores, resultado direto do intenso trabalho que a Couromoda tem feito naquele país, com a realização de quatro showrooms de calçados brasileiros.
A visitação da região do Mercosul será expressiva, com mais de 700 compradores, especialmente da Argentina (que retoma suas compras no Brasil), Chile e Bolívia. Importante também será a presença de compradores dos países da área norte da América do Sul e América Central.
Para atender a todos estes visitantes internacionais, a Couromoda criou, com o apoio da Apex, o Programa Couromoda Exporter e também o International Lounge, com atendimento especializado e orientação para facilitar os negócios.
O presidente da Abicalçados, Elcio Jacometi, disse que o setor tem condições de crescer muito mais e de dobrar as exportações em quatro anos. “Já passamos por grandes crises e mesmo assim nossas exportações cresceram 7% em 2003, fechando o ano com US$ 1,549 bilhão”.
Segundo ele, o calçado brasileiro tem tudo para crescer cada vez mais no mercado internacional e no mercado interno. O segredo está em promover o aumento do consumo de calçados, com estratégias de marketing e valorização do produto como acessório de moda e até como excelente opção de presente.
Exportações de US$ 1,5 bilhão em 2003
De acordo com levantamento da Abicalçados, que utilizou dados da Secex/MDIC, o setor calçadista exportou US$ 1,549 bilhão em 2003, o que representa um aumento de 7% em comparação com 2002, quando o faturamento havia sido de US$ 1,447 bilhão.
Isoladamente, dezembro também foi positivo. No último mês do ano, os calçadistas faturaram US$ 146 milhões, contra US$ 116 milhões em dezembro de 2002. Em comparação com novembro, o acréscimo foi de 16% (US$ 126 milhões).
Como os dados são preliminares, a Abicalçados ainda não contabilizou o volume de pares embarcados em 2003. Mas conforme os números até novembro, houve um acréscimo de 14% no volume físico.
De janeiro a novembro foram exportados 170 milhões de pares, a um preço médio de US$ 8,25 o par, quando, no mesmo período de 2002, foram 149 milhões de pares. O preço médio naquele ano foi de US$ 8,94.
Serviço:
Evento: 31.ª Feira Internacional de Calçados, Artigos Esportivos e Artefatos de Couro
Data: 13 a 16 de janeiro de 2004
Horário: das 10 às 19 horas
Local: Pavilhão de Exposições do Anhembi, São Paulo
Informações: (11) 3897.6100.

