Omar Nasser, da Fiep*
Curitiba – A concessão de crédito por parte do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) ao Paraná cresceu 150% no primeiro semestre deste ano, em comparação com igual período do ano passado. O valor chegou a R$ 217 milhões, dos quais 95% foram destinados à agroindústria. Balanço divulgado pela instituição financeira revela, ainda, que a agência de Curitiba registrou, entre janeiro e junho deste ano, a contratação de 2.122 operações.
Para que se tenha uma idéia do que representam estes números, basta dizer que, somando-se Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o BRDE contabilizou 5.631 contratos de financiamento nos primeiros seis meses de 2007, num total de R$ 557 milhões. Ou seja, o Paraná, sozinho, respondeu por 38% do volume de operações e 39% do montante liberado pela instituição no período.
A expansão – considerada pelo banco a maior entre os três estados da Região Sul do País – foi resultado, principalmente, de investimentos na transformação da produção agropecuária, capitaneados pelas cooperativas. Um exemplo é o setor avícola. Além de ampliar o abate, o segmento está apostando em cortes diferenciados e na produção de itens de maior valor agregado, como hambúrgueres. Entre os mercados visados está o Oriente Médio e o Japão.
Outro setor que apresenta crescimento da demanda por crédito junto ao BRDE é o sucroalcooleiro, concentrado nas Regiões Norte e Noroeste do Paraná. Os produtores de cana investem na construção de novas plantas de álcool, estimulados pela perspectiva de aumento da demanda mundial pelo combustível no médio e longo prazos. "Muitos projetos estão saindo agora do papel e esse segmento deve ser um dos mais promissores nos próximos anos", avalia o diretor de Acompanhamento e Recuperação de Crédito do BRDE, Carlos Marés.
O executivo aponta para a considerável quantidade de empresas que buscam oportunidades de negócios neste setor, no Estado. Um dos alvos é o Japão, que estuda a adição de 3% de álcool à gasolina usada no país. Consumidor de 60 bilhões de litros por ano, com esta medida criaria um mercado de 1,8 bilhão de litros por ano. O país asiático é um dos três principais compradores de álcool do Paraná.
*Federação das Indústrias do Estado do Paraná

