Brasília – O sistema brasileiro de crédito para a área rural é o mais eficiente do mundo e desperta a atenção de países das Américas e da Europa, que têm buscado conhecer os métodos usados pelo governo para apoiar o setor, destacou na última semana o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel.
Em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional, o ministro disse que, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que devem ser consolidados até setembro, o número de propriedades rurais aumentou em 350 mil nos últimos anos. Com isso, segundo ele, houve redução do êxodo rural, "porque as pessoas estão agora fazendo o contrário, voltando para o campo".
Para Cassel, atualmente não existe mais a ideia de que o campo é lugar de atraso e o produtor agora conta com apoio técnico e crédito. O ministro também destacou a preocupação com ações nas áreas social e de infraestrutura.
De acordo com ele, em média, as propriedades rurais antes tinham 73 hectares. Hoje, a área média é de 68 hectares, com menos concentração fundiária e mais gente trabalhando. Mais de 520 mil famílias foram assentadas nos últimos anos, o que significa algo em torno de um milhão de pessoas fixadas no campo, conforme o ministro.
"Não se deve pensar meramente em metas de assentamento, pois é preciso primeiro planejar habitação adequada, assistência técnica, oferecer crédito na hora certa para a produção, fornecer água, luz, e instalar escolas para que o trabalhador tenha qualidade de vida. Estamos fazendo com persistência uma reforma agrária responsável e produtiva e que se preocupa com o meio ambiente", disse.
O crédito rural é fornecido pelo Banco do Brasil, Banco da Amazônia e Banco do Nordeste, lembrou Cassel. Segundo o ministro, as liberações vêm sendo feitas com rapidez, permitindo eficiência no trabalho do agricultor. O índice de inadimplência, de acordo com ele, é o menor da área do crédito, inferior a 3%.
Cassel lembrou que armazéns e supermercados vão passar a expor produtos da agricultura familiar, que receberão um selo. Ele disse que o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) é responsável por 70% da produção agrícola do país e que, com o selo, a população poderá saber que está comprando alimentos saudáveis e originários de um sistema produtivo sustentável.
O ministro também ressaltou que o agricultor familiar demonstra responsabilidade com o meio ambiente. "Ele sabe que, se não tratar bem os mananciais, estará trabalhando contra o seu próprio negócio”, disse. "Na agricultura não temos que derrubar árvores para produzir mais alimentos. Temos uma lei ambiental rigorosa, moderna e adequada e precisamos ser rigorosos com isso, pois preservar o meio ambiente é o grande desafio da atualidade", acrescentou.
Guilherme Cassel lembrou que a agricultura familiar terá R$ 15 bilhões para a próxima safra, enquanto no ano passado foram destinados R$ 13 bilhões. Segundo ele, os recursos estão disponíveis nos bancos desde o dia 2 de julho.
O acesso ao crédito permite a modernização das propriedades, uma vez que os produtores podem comprar mais tratores, máquinas e equipamentos. As famílias poderão tomar empréstimos de até R$ 100 mil, com dez anos para pagar. Os juros serão de 2% ao ano e elas terão três anos de carência para o primeiro pagamento.

