Marina Sarruf
São Paulo – As exportações das micro e pequenas empresas brasileiras para mercados considerados não-tradicionais, que incluem os países árabes, tiveram um aumento significativo nos últimos seis anos. A participação destes destinos nos embarques das micro empresas passou de 8% em 1998, para 12,4% em 2004. No caso das pequenas o percentual saiu de 7,5%, para 11,2% no mesmo período. Os dados constam da pesquisa "As Micro e Pequenas Empresas na Exportação Brasileira – Brasil e Estados, 1998/2004", realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e pela Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex).
"As micro e as pequenas empresas têm um potencial enorme para aumentar suas exportações. As vendas para mercados não tradicionais estão tendo um crescimento cada vez maior", afirmou à ANBA o gerente de gestão estratégica do Sebrae, Gustavo Morelli. Os principais destinos das micro e pequenas empresas, no entanto, são Estados Unidos e Canadá, que juntos responderam por 21,7% das exportações das micro e 26,5% das pequenas no ano passado.
De acordo com Morelli, as Américas (do Norte, Central e do Sul) absorveram 56% do total das vendas externas das micro e pequenas empresas em 2004. Já a União Européia participou com 18,1% das exportações das microempresas e 24% dos embarques das pequenas no ano passado.
Ao todo, 17.973 companhias brasileiras de todos os portes exportaram em 2004, sendo que 681 eram novas no comércio exterior. Destas, 345 eram micro e pequenas. O crescimento dos embarques das companhias maiores, no entanto, foi superior ao das de pequeno porte. "O papel das micro e pequenas empresas é mais relevante em números de empresas exportadoras do que em termos de valores exportados", disse Morelli.
As exportações das grandes empresas aumentaram 27,6% em 2004, das médias em 45,3%, enquanto os embarques das pequenas cresceram 22,6%. "Existem mais micro e pequenas empresas exportando do que médias, mas em termos de valor deixa a desejar", acrescentou. Apesar do aumento no número de exportadoras, as exportações das companhias de pequeno porte representaram apenas 2,3% dos US$ 96,5 bilhões exportados pelo Brasil em 2004.
Setores
De acordo com a pesquisa, os setores que mais exportaram foram os de calçados, madeira serrada, móveis e vestuário feminino. "Esses são os mais representativos há alguns anos, mas todos apresentaram um crescimento", afirmou Morelli.
Segundo ele, entre os segmentos que tiveram o melhor desempenho nos últimos seis anos, para as microempresas, está o de vestuário feminino. As exportações do segmento passaram de US$ 1,5 milhão em 1998, para US$ 5,7 milhões em 2004.
No caso das pequenas empresas, o setor de madeira cresceu de US$ 79,6 milhões, em 1998, para US$ 160,4 milhões, em 2004; e o de móveis saltou de US$ 51,1 milhões, para US$ 120,3 milhões no mesmo período.
Expectativas
Morelli acredita que a participação das micro e pequenas pode aumentar. As expectativas do gerente para 2005, no entanto, é de que haja uma desaceleração no inclusão de novas micro e pequenas no rol das empresas exportadoras, principalmente em função da valorização do real frente ao dólar.

