Isaura Daniel
São Paulo – Os estados do Nordeste brasileiro aumentaram em 138% as exportações para os países árabes entre janeiro e novembro de 2004, na comparação com o mesmo período de 2003. A região ainda possui uma participação muito pequena no total faturado pelo Brasil com vendas para o Oriente Médio e Norte da África, mas está crescendo como fornecedora dos árabes.
Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe responderam por 3,72% da receita brasileira com exportações para os países árabes nos onze primeiros meses de 2004. A participação estava em 2,34% no mesmo período de 2003.
Os nove estados nordestinos faturaram US$ 137,5 milhões com vendas para os integrantes da Liga Árabe até novembro de 2004, contra US$ 57,7 milhões nos mesmos meses de 2003. O aumento está acima do crescimento nacional das exportações para os países árabes no período, que ficou ao redor de 50%.
O estado do Nordeste que mais vendeu para a região foi a Bahia, com US$ 48,7 milhões, seguida de Alagoas, com US$ 40 milhões, e de Pernambuco, que faturou US$ 27,8 milhões. Os estados que mais aumentaram suas vendas no período foram Alagoas e Rio Grande do Norte.
As exportações alagoanas para os países árabes saíram de US$ 7,4 milhões entre janeiro e novembro de 2003 para US$ 40 milhões no mesmo período deste ano. O crescimento foi de 434%. Em 2003, os alagoanos venderam açúcar, fumo e pedras de cantaria, para o setor de construção. Em 2004, além de açúcares, fumo e pedras, foram comercializados também sacos de malha para embalagem. O maior crescimento, porém, ficou por conta do açúcar.
O Rio Grande do Norte faturou 321% a mais no período com as vendas para as nações árabes. A base da qual o estado partiu, porém, foi muito menor. As exportações estavam em US$ 930 mil nos onze primeiros meses de 2003 e passaram para US$ 3,9 milhões nos mesmos meses de 2004. O estado vendeu castanha-de-caju, ceras vegetais, gomas de mascar, produtos de confeitaria e calçados para os árabes em 2003. Em 2004, os calçados saíram da pauta e entrou o açúcar, produto que respondeu pela maior parte das vendas: US$ 2,8 milhões.
Os estados do Nordeste estão entre os mais pobres do país. Apesar de 30% da população economicamente ativa viver da agropecuária, é o turismo o grande gerador de emprego e renda. O Nordeste é conhecido pelas belas praias e os empreendimentos turísticos.
Há, porém, uma série de negócios em outras áreas levando indústrias e dinheiro para a região. É o caso do setor de calçados, que recentemente abriu várias fábricas na região. A Bahia abriga o pólo petroquímico de Camaçari e o Ceará tem uma concentração forte de confecções. O Nordeste é também um grande produtor de frutas tropicais e de cana-de-açúcar.
Ranking do Brasil
O estado brasileiro que teve receita maior com vendas para os países árabes no período foi São Paulo. Os paulistanos faturaram US$ 1,5 bilhão com vendas para a região até novembro e responderam por 41% das exportações totais do país. O segundo estado que mais exportou para os árabes foi o Rio Grande do Sul. Localizado no extremo sul do país, o estado faturou US$ 470 milhões com vendas para as nações da Liga.

