Dubai – A Big 5 Show, maior feira do ramo de construção do Oriente Médio, que começa nesta segunda-feira (22) em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, terá 20% a mais de expositores do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) do que na edição do ano passado, segundo o diretor da mostra, Andy White. Isso indica que o setor está aquecido na região como um todo, pois o bloco reúne Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Kuwait, Omã e Emirados.
“As empresas locais estão mais fortes e entre elas há muitos distribuidores”, disse o executivo à ANBA neste domingo. Embora Dubai continue na liderança do ramo no Oriente Médio, com US$ 216 bilhões em projetos em andamento, White destacou que a Arábia Saudita, por exemplo, é um mercado que está crescendo muito rápido, tanto que a Big 5 terá uma edição no país em fevereiro do próximo ano. “A feira [saudita] já está toda vendida”, destacou.
Ele acrescentou que 75% da população saudita é jovem, com menos de 30 anos, e o país tem muito dinheiro oriundo do petróleo, o que gera necessidade de investimentos em moradias, escolas, indústria e infraestrutura. A Província Oeste, onde fica Jeddah, principal pólo econômico, concentra 34% dos projetos e é onde os organizadores da feira estão aplicando seus esforços.
“Há muita coisa ocorrendo também em Abu Dhabi”, afirmou White. Em seminário realizado domingo pela manhã, o consultor da Associação dos Empreiteiros de Dubai, Imad Al Jamal, informou que são estimados em US$ 200 bilhões os investimentos em infraestrutura e construção na capital dos Emirados nos próximos seis anos.
De acordo com o diretor da Big 5, embora Dubai tenha hoje um mercado menor do que há alguns anos, a feira reúne empresários de todo o Oriente Médio. Prova disso é que, mesmo após a crise, a edição do ano passado teve um número recorde de participantes, patamar que a organização espera manter este ano.
Para garantir o crescimento em tempos turbulentos, nas últimas edições foi ampliado o espaço da feira, que tradicionalmente contava com uma longa fila de espera, e criados novos atrativos, como conferências e workshops, o prêmio Gaia Awards de responsabilidade ambiental e um projeto comprador que consiste em convidar para o evento empresários do Oriente Médio e Norte da África responsáveis por projetos acima de US$ 100 milhões.
Ainda na seara ambiental, White disse que a Austrália foi destaque nas três edições do prêmio Gaia. “Parece que eles estão à frente nessa área”, ressaltou. No próximo ano, a Big 5 terá um espaço destinado exclusivamente a produtos “verdes”. Ele ressaltou que hoje é preciso oferecer mais para atrair expositores do que há quatro anos, antes da crise. “Precisamos trabalhar duro”, afirmou.
O executivo disse que a mostra terá 2,2 mil expositores de 70 países, entre eles 27 pavilhões nacionais, como o do Brasil, organizado mais uma vez pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira e Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex). Há procura também de empresas européias, que buscam exportar, já que os mercados europeus estão atualmente em baixa.
Na inscrição prévia, 25,8 mil pessoas se registraram para visitar a feira, ante 17 mil no ano passado. Mas, na prática, de acordo com White, ocorreram 35 mil visitas na edição de 2009, o que sugere que o número de 2010 deverá ser ainda maior. Ele destacou ainda que muitos negócios ocorrem entre os próprios expositores, divididos entre fabricantes e distribuidores.
Seminário
Na manhã deste domingo, a delegação brasileira, que além dos expositores conta com empresários de Santa Catarina e Mato Grosso trazidos aos Emirados pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), assistiu a um seminário na Câmara de Comércio de Dubai. O grupo tem mais de 70 pessoas, sendo 20 representantes de 15 empresas que vão expor na feira.
Em nome da Câmara Árabe, o vice-presidente de Marketing, Rubens Hannun, falou sobre os serviços da entidade e agradeceu o apoio dos parceiros, entre eles a Apex. Já o secretário-geral, Michel Alaby, fez uma apresentação sobre o momento econômico do Brasil, com ênfase nas áreas de agronegócio, infraestrutura e turismo.
O engenheiro paranaense Omar Khaled Hamaoui fez uma palestra sobre sua experiência pessoal no Oriente Médio. Desde 2003 em Dubai, sua empresa tocou sete empreendimentos e agora ela está desenvolvendo projetos na Arábia Saudita e Líbia.
Também participaram do seminário Atiq Hassan, do Departamento de Relações Internacionais da Câmara de Dubai, Fahad Al Thani, gerente de apoio aos investimentos da entidade, e Nicolas Stadmiller, que falou sobre o papel da Câmara no desenvolvimento de negócios em Dubai.

