São Paulo – O Oriente Médio aumentou de 15% para 19% a sua participação como destino das carnes exportadas pela brasileira Minerva Foods nos últimos doze meses encerrados em setembro, segundo dados divulgados na noite de quinta-feira (06) pela empresa frigorífica. No relatório sobre o desempenho do terceiro trimestre de 2014, a companhia ressalta que houve aumento da fatia da região também no período de julho a setembro. Os destaques foram Irã, Líbano e Emirados Árabes Unidos.
“Ressaltamos novamente que esta é uma região que concentra as vendas para mercados de nicho, como foco em cortes com certificação religiosa (Halal e Kosher) e também mercados que consomem carne resfriada de cortes do traseiro, que apresentam melhor rentabilidade”, diz o relatório. Segundo gráfico divulgado, o Oriente Médio foi o segundo mercado da Minerva Foods no exterior de outubro de 2013 a setembro de 2014, atrás apenas da Comunidade dos Estados Independentes (CEI), grupo do qual faz parte a Rússia e outras nações ex-integrantes da União Soviética. A CEI teve 22% de participação.
Outro local do mundo onde estão países árabes e para a qual a Minerva Foods vende é o Norte da África. De acordo com a empresa, a participação da região nas suas exportações recuou dois pontos percentuais em doze meses até setembro sobre o mesmo período anterior, de 16% para 14%. “Redirecionamos parte das exportações que eram destinadas para essa região anteriormente para países como Rússia, Venezuela e Chile, países que apresentam maior rentabilidade e melhor precificação no período”, afirma o documento da Minerva Foods.
Também foram destinos dos produtos da empresa no exterior as Américas, com 17%, a Ásia, com 12%, a União Europeia, com 13%, e o Nafta, com 3%. A receita das exportações da empresa como um todo avançou 20,5% em doze meses, de R$ 3,7 bilhões para R$ 4,46 bilhões. No terceiro trimestre, as vendas externas também cresceram, mas um pouco menos, 12,4%, de R$ 1,0 bilhão de julho a setembro de 2013 para R$ 1,2 bilhão nos mesmos meses deste ano.
No acumulado dos doze meses até setembro, a Minerva teve queda de 1,5% no abate, com 1,9 milhão de cabeças, mas houve aumento de 5,2% no terceiro trimestre sobre mesmos meses de 2013, para 560,3 mil animais abatidos. A receita bruta cresceu 20,9% em doze meses e 21,3% no trimestre, com R$ 6,7 bilhões e R$ 1,9 bilhão, respectivamente. Houve, porém, prejuízo de R$ 230,8 milhões em doze meses e de R$ 193,8 milhões de julho a setembro.
Em mensagem da administração, o diretor presidente Fernando Galletti de Queiroz ressaltou o forte desempenho operacional e a continuidade do plano de crescimento, além da elevação das receitas e da exportação. Ele lembrou que no trimestre o preço da carne in natura subiu 16,4% em dólar e que há crescente demanda em países emergentes e redução da participação de fornecedores como Estados Unidos, Austrália e Europa no mercado mundial.
A Rússia proibiu a compra de alimentos dos Estados Unidos e União Europeia, que aplicaram sanções a Moscou em função do conflito no Leste da Ucrânia. Isso vem favorecendo a exportação de produtos brasileiros para o país, como a carne bovina e de frango, além de grãos.
A Minerva adquiriu plantas de carne bovina em Mirassol D’Oeste e Várzea Grande, no estado de Mato Grosso, da empresa Mato Grosso Bovinos, pertencente à Brasil Foods (BRF), mas a assembleia geral Extraordinária para aprovação da incorporação ocorreu em outubro. A Minerva tem capacidade diária de abate de 15.880 cabeças de gado e de desossa equivalente a 18.866 cabeças ao dia. Ela tem unidades nos estados de São Paulo, Rondônia, Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, além de Paraguai e Uruguai.


