Brasília – O faturamento da indústria brasileira está crescendo de forma consistente e sustentável e superou, no mês de dezembro de 2009, em 0,2% o registrado em setembro de 2008, período imediatamente anterior ao recrudescimento da crise financeira internacional. A constatação é da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
“Entre todos os fatores que pesquisamos, este é o único que já superou o período pré-crise”, afirmou o gerente de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, ao divulgar hoje (10) o boletim Indicadores Industriais.
Na comparação com dezembro de 2008, o faturamento da indústria de transformação aumentou 12,2% e, em nove dos 12 meses de 2009, registrou crescimento. O economista Flávio Castelo Branco credita esses números positivos ao aquecimento registrado no mercado interno.
Dos 19 setores pesquisados pela CNI, 15 tiveram variação positiva do faturamento em dezembro, na comparação com o mesmo mês de 2008. O que mais cresceu foi o de metalurgia básica (47,6%), seguido dos setores de borracha e plástico (32,4%), e do de produtos de metal (29,7%). Na mesma comparação, o faturamento do setor de produtos químicos aumentou 29,6%, e o de edição e impressão, 24,6%.
O setor de máquinas e equipamentos – usado como referência para indicar a tendência da indústria realizar investimentos para o aumento de produção – aumentou o faturamento em 6,9%, na comparação entre dezembro de 2009 e o mesmo mês do ano anterior.
“No entanto, o crescimento do faturamento da indústria ainda é pequeno, se comparado ao de setembro de 2008, quando a crise começou a afetar o setor, ficando em apenas 0,2%”, disse o economista.
Se a comparação for entre as médias anuais de 2009 com 2008, o faturamento apresenta a maior queda da série histórica iniciada em 2003 (-4,3%), acrescenta Castelo Branco. “Mas é claro que muito disso se deve ao fato de a média de faturamento registrada em 2008 ter chegado a 5,4% na comparação com 2007”, ponderou.
Apenas quatro setores registraram queda do faturamento, se comparado a dezembro de 2008: materiais eletrônicos e de comunicação (-2,2%); refino e álcool (-8,5%); madeira (-14,6%) e vestuário (-15,4%).
“Esses são setores exportadores ou de grande competição com produtos importados”, justifica Castelo Branco. “Já a queda do faturamento do setor de refino e álcool se deve à queda de preço que está ocorrendo já há algum tempo no mercado mundial”, completou.

