Isaura Daniel
São Paulo – Está aumentando o número de brasileiros que procuram os Emirados Árabes Unidos para trabalhar. Não existem estatísticas oficiais de quantas pessoas se dirigem do Brasil ao país árabe a trabalho por ano, mas de acordo com informações do departamento de comunicação da embaixada dos Emirados em Brasília, a procura por vistos de trabalho vem crescendo nos últimos quatro anos.
As solicitações, que ficavam entre um ou dois pedidos por ano, chegam a seis em alguns meses, segundo informações do departamento. Os números do Ministério de Planejamento dos Emirados Árabes Unidos indicam que entre as quatro milhões de pessoas que vivem no país, 75% são estrangeiras. De acordo com a embaixada, os brasileiros que mais procuram os Emirados para trabalho são médicos, profissionais de comunicação e atletas.
O embaixador brasileiro em Abu Dhabi, Flávio Moreira Sapha, afirma que os clubes dos Emirados se interessam muito pelos jogadores de futebol brasileiros. Além dos jogadores, porém, há outro tipo de atletas que trabalham em academias e clubes. Os profissionais de comunicação, de acordo com a embaixada dos Emirados no Brasil, normalmente trabalham nos departamentos de Relações Públicas de empresas.
O embaixador Sapha diz que a maioria dos brasileiros que trabalha nos Emirados é levada ao país por empresas brasileiras que abrem representações, unidades ou escritórios locais. De acordo com ele, porém, a presença dos brasileiros trabalhando no país tem uma dimensão muito pequena. Na embaixada do Brasil em Abu Dhabi estão registrados cerca de 300 brasileiros. Nem todos os brasileiros que moram no país, porém, se inscrevem na embaixada. Apenas os que querem algum tipo de ajuda ou serviço diplomático.
Diferentemente de outras regiões do mundo, para trabalhar nos Emirados é preciso ser contratado antes de sair do Brasil. Os vistos só podem ser solicitados por companhias estabelecidas no país. É a empresa que envia a documentação à divisão de imigração do governo dos Emirados e especifica também o tempo de permanência do estrangeiro no país.
O mesmo ocorre para viagens de turismo. O estrangeiro entra em contato com o hotel onde vai ficar hospedado e é o próprio hotel que encaminha o visto. Se o visitante for ficar na casa de um conhecido, também é o amigo ou parente que mora no país que se responsabilizará pela sua entrada nos Emirados.
De acordo com a embaixada do país árabe no Brasil, como o sistema de controle de imigração do país é automatizado, bastará o estrangeiro ir ao aeroporto com o seu passaporte. No sistema já estarão as informações sobre a sua permanência e a liberação da entrada nos Emirados. O controle, porém, é rigoroso. Se a pessoa for ao país como visitante e conseguir trabalho, precisará mudar o visto.
População que mais aumenta
A população dos Emirados é uma das que mais cresce entre os países árabes. Em 2003, o número de moradores do país aumentou 7,6%, de acordo com informações publicadas na agência de notícias local Emirates News Agency. Os moradores passaram de 3,754 milhões de pessoas para 4,041 milhões no final de 2003. É a segunda maior população dos países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), atrás apenas da Arábia Saudita.
Os imigrantes da Índia, Paquistão, Bangladesh, Irã e Sri Lanka representam 40% da população. De acordo com informações do jornal árabe Khaleej Times, o fato da economia do país estar crescendo e dos Emirados terem se transformado em um pólo comercial da região, está atraindo um grande número de estrangeiros.
Temendo que o movimento possa tirar oportunidades de trabalho aos nascidos no país, o governo dos Emirados determinou, no decorrer do ano de 2004, que os estabelecimentos comerciais com mais de 50 funcionários tenham pelo menos 2% do quadro pessoal formado por nativos.
A determinação, estipulada apenas para algumas regiões onde os empregos são mais concorridos, precisa ser cumprida a partir do início de 2005. No setor bancário a taxa é de 4% e para a área de seguros 5%. De acordo com as últimas informações do Ministério do Trabalho e Assuntos Sociais dos Emirados, apenas 3% da população nativa não tem emprego no país.

