Da Agência CNI
Brasília – Na tentativa de reduzir os efeitos do desaquecimento provocado pela redução da demanda doméstica, algumas empresas brasileiras estão aumentando a participação das exportações no faturamento. O boletim Notas Econômicas elaborado pela Unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com base na Sondagem Industrial de dezembro, afirma que o nível de produção das empresas do país está muito aquém do seu potencial ao longo dos últimos três anos, reflexo do fraco dinamismo do setor industrial no período.
Em 2003, a indústria de transformação no Brasil operou, em média, com folga de 30% da sua capacidade produtiva.
Mas o baixo aproveitamento do potencial de produção pode resultar em boa notícia, porque sinaliza que há espaço para recuperação da produção no curto prazo sem pressões significativas de custos.
Segundo os técnicos da CNI, o aumento da ociosidade da produção vem ocorrendo de maneira generalizada. As pequenas e médias empresas operam com um nível de aproveitamento do potencial de produção em média 9 pontos percentuais menor que o das grandes empresas. Uma das explicações deve-se ao fato de que as empresas de grande porte voltaram parte significativa da produção para o mercado externo.
Em 2003, 22,5% do faturamento da grande empresa foram provenientes de receitas de exportação. No caso das pequenas empresas, a participação foi de apenas 8,1%. Apesar da participação das exportações no faturamento vir se ampliando para todas as indústrias, o ritmo de crescimento tem sido maior para as de maior porte.
Em termos setoriais, os segmentos que tiveram as quedas mais acentuadas na utilização da capacidade instalada são basicamente os que possuem as mais baixas participações das exportações no faturamento das empresas, como bebidas, materiais plásticos e minerais não-metálicos.

