Da redação*
São Paulo – O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, acredita que o crescimento da economia brasileira em 2004 poderá ser de 5,5%. No primeiro semestre o ministro apostava em um aumento de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e a meta do governo era de um crescimento de 3,5%. "É um ano positivo, é um campeonato que termina, é uma taça que vai para o quadro de recordações", disse Furlan ontem (20) no Rio.
Segundo o ministro, o desempenho da indústria, do comércio, do setor de serviços e, especialmente das exportações, o faz acreditar que o percentual será atingido. Pesquisa realizada pelo Banco Central no início do mês, junto ao mercado financeiro, apontou perspectivas de crescimento de 5% do PIB. No primeiro semestre o mercado apostava em um aumento de 3,5%. No final de novembro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou estudo que mostra que, entre janeiro e setembro, a economia brasileira cresceu 5,3%.
Para Furlan, as exportações brasileiras vão ultrapassar este ano a marca de US$ 94 bilhões e o saldo da balança comercial deve ficar em US$ 32 bilhões. Até a terceira semana de dezembro, os embarques brasileiros renderam US$ 92,5 bilhões e as importações US$ 60,7 bilhões. As exportações cresceram 29,9% este ano e as importações 28,5%. No ano passado as vendas externas aumentaram em 21%, ao passo que as importações apenas 2,22%.
De acordo com o ministro, o aumento das compras externas é também um fato positivo para o país. "É um crescimento saudável que mostra que o mercado interno brasileiro demanda mais produtos importados, principalmente matérias-primas, componentes, bens de capital, mas também produtos de consumo que ajudam de uma forma ou de outra a estimular a competitividade no mercado interno", declarou.
Para o próximo ano, Furlan manteve a previsão de US$ 100 bilhões em exportações, o que significa que o crescimento dos embarques deverá bem menor do que o registrado em 2004, assim como o saldo comercial deverá diminuir. "Mesmo assim o saldo deverá ficar na casa dos vinte a tantos bilhões de dólares", declarou o ministro, para quem a diminuição do superávit não terá impacto negativo na economia brasileira.
Ele acredita que o país está preparado para superar eventuais problemas externos. "Acredito que ao longo dos últimos dois anos a saúde do Brasil melhorou muito. E não só a saúde, o preparo físico também. Nós estamos em muito melhores condições para superar eventuais adversidades no mercado externo. Temos números muito positivos", declarou.
Mas o ministro não nega preocupação com a manutenção dos níveis de exportação, tanto que afirmou que o comportamento das vendas externas, junto com a geração de empregos, serão as principais questões de sua pasta em 2005. Nesse sentido, ele falou de uma série de cuidados que devem ser tomados para manter os números positivos, como os investimentos em infra-estrutura, a redução dos juros e uma taxa de câmbio que estimule as exportações. Para Furlan, a taxa de câmbio ideal seria de R$ 3 para US$ 1. Ontem o dólar fechou cotado a R$ 2,676, o menor patamar desde junho de 2002.
Furlan disse ainda que o governo vai trabalhar para que o acordo comercial entre o Mercosul e a União Européia seja concluído em 2005. De acordo com ele, já no primeiro trimestre haverá uma reunião de ministros dos dois blocos para tratar do assunto. As negociações foram paralisadas no final de outubro.
*Com informações da Agência Brasil

