São Paulo – A crise econômica da Europa deverá impactar de modo drástico a ajuda pública que recebem os países do continente africano. A afirmação foi feita no relatório África 2012, divulgado nesta terça-feira (27) pela Comissão Econômica das Nações Unidas para a África (ECA, na sigla em inglês) durante reunião de ministros de finanças africanos em Addis Ababa, na Etiópia.
O documento ressalta que países como França e Itália já reduziram a ajuda bilateral à África em função da crise econômica. Segundo o relatório, a Assistência Pública ao Desenvolvimento (ODA, na sigla em inglês) representa 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB) da África.
Embora essa proporção seja pequena, o montante é fundamental para algumas economias africanas, afirma o estudo da ECA. "Dois terços dos países africanos dependem da assistência pública ao desenvolvimento e muitos países africanos são fortemente dependentes dela para financiar suas despesas públicas e orçamentos", afirma o relatório.
A diminuição dessa ajuda deve pressionar setores sociais, acredita a ECA, especialmente saúde, educação e saneamento, além de impactar nos esforços para redução da pobreza da região. O comércio, no entanto, deve ser o mais prejudicado, segundo afirma a ECA, já que a África exporta um grande volume de produtos para a Europa.
A África cresceu 4,6% em 2010 e 2,7% no ano passado. O declínio ocorreu principalmente em função dos problemas políticos do Norte da África, que aumentaram o risco para investimentos na região. Apesar do cenário global adverso, no entanto, a expectativa é que a África cresça 5,1% neste ano. Segundo a ECA, o que pode mudar esse quadro é a queda nas exportações, em função de haver preços menores das commodities ou problemas climáticos.

