Rio de Janeiro – A crise internacional afetou o setor algodoeiro no Brasil, que sofreu uma redução de 23% na área plantada este ano e vai perder cerca de 400 mil toneladas na produção em relação a 2008. “Pelo menos metade dessa redução é em função da crise e a outra metade em função da queda da produção brasileira”, disse à Agência Brasil o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Haroldo Cunha.
Ele afirmou que o setor está sobrevivendo graças a algumas iniciativas para redução de custos e ao apoio governamental na comercialização. Não há, segundo Cunha, perspectivas de recuperação para a próxima safra, uma vez que a crise externa tem efeitos negativos sobre o consumo de têxteis e isso acaba afetando o preço do algodão.
"Nós temos que trabalhar para criar um cenário favorável e voltar a expandir em 2011", destacou. No comércio exterior, as perspectivas são de vendas em torno de 400 mil toneladas este ano, contra 530 mil toneladas no ano passado. “Não caem muito porque as exportações são definidas com um ano ou dois de antecedência”, explicou o presidente da Abrapa.
A maior preocupação é com o que ocorrerá em 2010. Cunha afirmou que esse cenário vai depender de alguns fatores que estarão definidos até outubro e que irão mostrar a área a ser plantada, a participação dos produtores nas exportações e os contratos que vão ser feitos.
A expectativa da Abrapa para a atual safra é de cerca de 850 mil hectares plantados, com 1,2 milhão de toneladas. Os números apresentam redução em relação à safra anterior, que atingiu área plantada de 1,077 milhão de hectares, com produção de 1,6 milhão de toneladas. Confirmam também perda de produtividade em alguns estados, como a Bahia.
O Brasil é atualmente o quarto maior exportador mundial de algodão e o quinto maior produtor. Os países africanos ocupam, em conjunto, a quarta posição no ranking internacional de produtores de algodão.

