Agência Brasil
Brasília – A realização da Cúpula Países Árabes e América do Sul, na próxima semana em Brasília, é uma demonstração clara de que o governo brasileiro optou pela conversa direta com parceiros políticos e comerciais, e não mais por meio de grandes potências e instituições multinacionais. A afirmação foi feita pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Cristovam Buarque (PT-DF).
Em entrevista à Agência Brasil, o senador disse que o Brasil, em geral, é um país que dialoga com outros através de entidades multinacionais, que tem uma voz através de grandes potências. Segundo ele, o mesmo acontece com os árabes nas suas conversas com o Ocidente. Por isso, Cristovam Buarque considera a cúpula "a quebra de uma barreira de muito tempo, a abertura de uma porta que pode ser fundamental para fortalecer o Brasil no cenário internacional".
Para ele, o estreitamento dos laços comerciais e políticos com os árabes é a afirmação do Brasil "como nação que tem rumo próprio em sua política externa". Cristóvam acrescentou que a política exterior do governo Lula tem clara a postura de que "o país fala com sua própria voz", sem necessidade de intermediários.
O senador disse que a Cúpula dos Países Árabes e da América do Sul é um bom momento para discutir questões que atingem o mundo globalizado, como a circulação de capitais, o terrorismo e a liberdade de uso de tecnologias, por exemplo. "Pessoalmente, acho que não deveria ter tabu com nenhum assunto", ressaltou.
Na opinião de Cristovam, a desconfiança gerada contra o Islã depois do ataque terrorista aos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001, é outro tema importante. Com a ressalva de que nem todo árabe segue o Islã, o senador afirmou que os islâmicos necessitam que se demonstre que "eles são pessoas pacíficas, respeitosas, criativas. Um povo ao qual o mundo ocidental deve muito". Neste sentido, disse ele, o Brasil dá uma demonstração de que negocia com os árabes, islâmicos ou não, sem preconceito e com respeito.

