São Paulo – O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) quer sensibilizar os brasileiros para contribuir com o seu trabalho. A organização internacional atua na proteção e assistência a vítimas de conflitos armados e tensões, e o chefe de operações do CICV para o Oriente Médio, Robert Mardini, esteve no Brasil na última semana para conversar com os setores público e privado sobre o tema. Um dos compromissos de Mardini foi na Câmara de Comércio Árabe Brasileira, na sexta-feira (30), onde ele falou aos funcionários e executivos da entidade, entre eles o diretor geral Michel Alaby.
A organização internacional vai abrir um escritório no ano que vem na capital paulista, que fará recrutamento de profissionais para a CICV, mas quer, além de ter os brasileiros como funcionários, também colaboração financeira do setor público, empresas e população do Brasil para o seu trabalho, especialmente no Oriente Médio. Mardini afirmou que a intensidade dos conflitos na região está crescendo e contou sobre o trabalho do CICV em locais como Síria, Iraque, Palestina, Iêmen e arredores, inclusive áreas que recebem refugiados das guerras.
Em função do acirramento dos problemas na região há necessidade de maior suporte ao trabalho do CICV. O orçamento da organização para o Oriente Próximo e Médio, que no ano passado foi de 278,6 milhões de francos suíços (US$ 289,8 milhões pela conversão atual), saltará para 414,9 milhões de francos suíços (US$ 418,1 milhões) neste ano e para 465 milhões de francos suíços (US$ 468,6 milhões) no ano que vem.
Mardini afirmou que as principais causas dos conflitos persistem e alertou para a multiplicidade e a radicalização dos grupos armados na região, o crescimento da competição regional, a devastação humanitária, o deslocamento massivo da população, com uma crise de migração e refúgio. De acordo com números apresentados pelo chefe de operações, o CICV tem uma equipe residente de 2.346 pessoas na região e equipe móvel de 430 profissionais. Houve crescimento de 14% nos residentes e de 13% nos itinerantes de 2014 para 2015.
Mardini citou algumas das ações do CICV nos conflitos atuais do Oriente Médio. Na Síria, ele mostrou, por exemplo, a ajuda aos atingidos no front da guerra, o suporte a hospitais; no Iraque, a distribuição de comida; e na Palestina, a intermediação para o movimento de ambulâncias, a reconstrução de estradas, entre outras atividades. Diferente do senso comum, o CICV não atua apenas na assistência à saúde aos atingidos pelas guerras, mas tem uma série de iniciativas que ajudam a população à retomar a sua vida.
O gerente de Mobilização de Recursos e Parcerias do CICV, Flávio de Mattos Franco, contou à reportagem da ANBA sobre o trabalho que a organização faz com a água, por exemplo. Uma das primeiras preocupações do CICV é garantir o tratamento e o bombeamento de água, para que a população possa fazer coisas básicas como lavar os ferimentos e não ingerir comida contaminada. “Reduz a pressão sobre a assistência médica”, afirma.
Além disso, o CICV atua para restabelecer a vida econômica da população, reconstruir a infraestrutura, para a volta do abastecimento da energia elétrica (essencial para o funcionamento dos hospitais), produz próteses e órteses. Quando o CICV foi criado o trabalho era voltado principalmente para o atendimento aos soldados, já que o enfrentamento acontecia em local marcado, longe da população. Hoje, ele acontece no meio das cidades, com os soldados equipados e protegidos, e os civis desprotegidos. Por isso, segundo Franco, o trabalho do CICV é voltado principalmente para as populações.
O CICV tem sede em Genebra e atua em parceria com organizações nacionais, como o Crescente Vermelho, em alguns países muçulmanos, e a Cruz Vermelha, no Brasil. Apesar de trabalharem juntos, eles são instituições independentes. Mardini desembarcou no Brasil na quarta-feira (28) e ficou até a sexta-feira (30). Ele fez sua visita acompanhado por integrantes da Delegação Regional da organização para Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, que fica em Brasília.
O Brasil não é atualmente um doador permanente do CICV. Mas os representantes da organização que visitaram o Brasil manifestaram a vontade de ter colaborações regulares do setor público brasileiro, e também da população e do setor privado. Brasileiros interessados em doar à organização podem fazê-lo pelo site. Empresas podem entrar em contato pelo telefone ou e-mail abaixo. De acordo com Franco, dependendo do volume da doação da empresa, a contribuição poderá ser direcionada por assunto (amputações, etc) ou país. Cada caso deve ser avaliado. Se for pequena, vai para o orçamento geral, que prioriza conflitos em evidência ou situações mais problemáticas ao redor do mundo.
Serviço:
Para doar ao CICV (pessoa física):
https://www.icrc.org/pt/
Para doar ao CICV (empresas e setor público):
Contato com Flávio de Mattos Franco
Telefone: +55 (61) 3106-2350
Email: ffranco@icrc.org


