São Paulo – As empresas brasileiras que participaram da BeautyWorld Middle East, feira de produtos de beleza que ocorreu na semana passada, em Dubai, estimam que os contatos realizados na mostra poderão render US$ 4,5 milhões em negócios nos próximos 12 meses. A informação é da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), que organizou a presença do Brasil no evento em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex).
Segundo a analista de comércio exterior da associação, Silvana Gomes, que esteve na feira, a participação constante do Brasil na mostra, desde 2004, faz com que a ampliação dos negócios no Oriente Médio seja “exponencial”. Ela disse que o pavilhão brasileiro foi visitado por todos os clientes que as companhias expositoras já tinham na região, além de novos interessados nos produtos.
“Nós sentimos um ganho de qualidade nos contatos”, afirmou. Nesse sentido, ela ressaltou que é possível se falar na perspectiva de aumento dos negócios, pelo menos em termos proporcionais, uma vez que o número de empresas participantes foi menor do que no ano passado. Foram 15 expositoras em 2008, contra 10 em 2009, sendo duas estreantes.
Além dos contatos com importadores, duas das empresas participantes fecharam contratos para utilizar o Centro de Negócios (CN) mantido em Dubai pela Apex e pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira. O CN disponibiliza depósito para armazenagem de mercadorias para pronta entrega, espaço para uso como escritório, além de uma série de serviços de apoio.
As duas companhias são a Nunaat Cosmetics, de produtos para o corpo e cabelos, e a Quasar Esthetic, de equipamentos de laser para tratamentos estéticos. Segundo Silvana, a Nunaat, por exemplo, pretende utilizar as instalações como centro de distribuição para venda direta ao varejo local.
Ela acrescentou que os principais contatos realizados no evento foram com empresários de países como Arábia Saudita, Irã, Iraque, Líbano, Iêmen, Egito, Kuwait e Marrocos. Os principais produtos vendidos para o Oriente Médio e Norte da África são os para tratamento capilar, como condicionadores e hidratantes.
Esse segmento é um grande diferencial da indústria brasileira, de acordo com Silvana, pois há no país uma “cultura dos cabelos” e, conseqüentemente, grande variedade de produtos capilares, muitos ainda desconhecidos na região, e que acabam chamando bastante a atenção dos importadores. Ela citou como exemplo itens feitos a base de chocolate.
Mais regras
Nos Emirados Árabes Unidos, Silvana disse que a Municipalidade de Dubai acaba de baixar uma nova regulamentação para controle sanitário dos produtos do setor. Embora isso vá implicar em alguns trâmites burocráticos para as empresas, pois elas terão que enviar ao emirado documentos que antes não eram necessários, a medida é considerada positiva pelos exportadores brasileiros, uma vez que deverá inibir a entrada de produtos piratas originários principalmente da China.
A analista disse ainda que as exportações ao Oriente Médio e Norte da África respondem por cerca de 2% das vendas externas das 44 empresas participantes do projeto de promoção da Apex e Abihpec. O número pode parecer pequeno, mas, segundo ela, os resultados atingidos hoje são 100% fruto do projeto, já que em 2004, quando ele foi iniciado, os embarques eram iguais a zero.
No próximo ano, além da BeautyWorld Middle East, a Abihpec pretende promover ações exclusivas em grandes mercados da região, como Arábia Saudita e Irã.

