Randa Achmawi, especial para a ANBA
Cairo (Egito) – A reunião de cúpula dos chefes de estado árabes e sul-americanos, que vai ocorrer em maio no Brasil, será um "acontecimento único", que vai criar "novos horizontes" para a cooperação política, econômica, cultural, científica e tecnológica entre os países da América do Sul e do mundo árabe. A opinião é da chefe do departamento das Américas no Ministério das Relações Exteriores do Egito, Shadia Hussein Fahmy Farrag, que ocupava até recentemente o cargo de embaixadora egípcia em Brasília.
"A Cúpula será muito importante, não só por ela mesma, mas também pelo grande número de contatos que seus preparativos estão proporcionando e ainda vão proporcionar", disse a diplomata à ANBA. "Ela está sendo preparada por uma série importante de encontros, que promovem a comunicação e o intercâmbio entre as partes, e que estão tendo resultados bastante positivos", acrescentou.
Shadia lembrou que já foram realizados eventos preparatórios em São Paulo, sobre cultura árabe; em Fortaleza, sobre cooperação na área de recursos hídricos; em março vai ocorrer um outro evento no Marrocos, para tratar de cultura sul-americana; e que no mesmo mês os chanceleres dos dois blocos vão se reunir para tratar dos últimos detalhes da organização da cúpula.
Até lá serão promovidos outros eventos para tratar de temas como cooperação econômica e investimentos. "Automaticamente tudo isso já faz com que os países árabes e sul-americanos se aproximem", disse.
Prioridade para a América do Sul
Para ela, sua nomeação para o cargo de chefe do departamento das Américas da Chancelaria egípcia demonstra que seu país esta dando maior atenção ao continente sul-americano.
"A presença na chefia do departamento das Américas de uma embaixadora vinda de um país do tamanho do Brasil, com sua influência política e econômica, alguém que conhece bem a região, faz com que se preste mais atenção nela", declarou.
Segundo Shadia, trata-se de uma mensagem que o governo egípcio esta passando aos países sul-americanos. "O Egito está dando mais importância às relações com os países desta região e pretende intensificá-las", disse. Dentro da mesma lógica da cúpula dos países árabes e sul-americanos, a diplomata afirmou que será organizada, no Cairo, uma reunião semelhante entre nações africanas e da América do Sul.
Comércio
Ela acrescentou que o Brasil "sempre manteve posições muito positivas em relação à causa árabe" e que a coordenação entre o Brasil e o Egito nas questões internacionais vem evoluindo. Shadia declarou, no entanto, que há interesse de seu governo em ampliar mais as relações comerciais e econômicas.
"A balança comercial é desfavorável ao Egito, por isso estamos tentando buscar novos canais que contribuam para o aumento das exportações egípcias ao Brasil. Os próprios brasileiros estão preocupados com isso, porque o equilíbrio da balança fortalece e assegura as relações entre os dois países no longo prazo", declarou.
Para ela, os empresários de seu país têm que "tomar consciência do potencial do mercado brasileiro". Existem planos de se organizar uma feira de produtos egípcios no Brasil e até de criar uma exposição permanente destas mercadorias.

