Marina Sarruf
São Paulo – O centro de estudos e o laboratório de árabe da Universidade de São Paulo (USP), que fazem parte do departamento de línguas orientais da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), impressionaram o grupo de 18 universitários sauditas que está no Brasil em uma viagem de intercâmbio, organizada pelo Clube Científico da Arábia Saudita. As instalações foram apresentadas ontem à tarde (15) aos estudantes pelo professor Helmi Mohammed Ibraim Nasr, ex-chefe do departamento e diretor da Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB). Ele fez questão de dar as boas vindas para cada um dos jovens.
"Achei muito legal ver que no Brasil há um curso de árabe, porque é uma cultura que está muito distante daqui", afirmou o estudante de medicina, Saud H. Aldobyan. O professor Helmi Nasr explicou que o laboratório de árabe, que possui equipamentos para os alunos aprenderem o idioma, é resultado de uma doação de US$ 40 mil feita pela família real saudita em 1980.
O laboratório leva o nome do rei Abdul Aziz Al Saud, fundador da dinastia que governa a Arábia Saudita. Os estudantes ficaram surpresos ao saber da homenagem. "Eu acredito que essa visita vai render bons resultados", disse Nasr.
De acordo com Abdulhafeez M. Ameen, diretor-executivo do Clube Científico, a entidade gostaria de dar suporte ao curso. "Quando voltar para a Arábia Saudita vou ver com as universidades o que é possível fazer para cooperar. Pretendo mandar livros de história, geografia e de outras áreas para o curso", afirmou. Ele disse ainda que gostaria de fazer mais parcerias. "Estamos aqui para fazer uma ponte cultural entre o Brasil e a Arábia Saudita", acrescentou.
Durante a apresentação da faculdade de letras, Nasr e Ameen conversaram também sobre a possibilidade de trazer professores do país árabe para o Brasil. Segundo Nasr, existem poucos professores capazes de ensinar a língua árabe na universidade. "Eles prometeram fazer de tudo para nos ajudar", disse.
Mais visitas
Pela manhã, os estudantes visitaram o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) do Estado de São Paulo, também ligado à USP, onde conheceram diversos laboratórios, como os de medição de vazão de líquidos, de gás, de combustíveis e lubrificantes e de combustão e gaseificação, além de um tanque de provas, onde técnicos testam modelos de navios e a estabilidade de plataformas de petróleo, e um túnel de vento.
Por último, o grupo conheceu a TV Bandeirantes, onde viram estúdios de TV e rádio. Para o assessor da presidência da rede, Ricardo Ares, a visita dos sauditas é um orgulho para o grupo Bandeirantes, porque os fundadores da rede, a família Saad, são descendentes de árabes. "Essa visita agrega valor à Band", disse.
Durante as visitas os jovens não deixaram de observar os costumes de seu país e de sua religião, o islamismo. Após a vista à FFLCH, o professor Helmi Nasr disponibilizou uma sala de aulas vazia onde os estudantes puderam rezar.
Eles também puderam conhecer um pouco dos sabores brasileiros. No restaurante universitário da USP, os jovens almoçaram arroz, bife, estrogonofe de frango, batata-frita, salada, laranja e melancia de sobremesa.
A avaliação do dia foi positiva. "Não imaginávamos que as pessoas aqui seriam tão legais e educadas com os estrangeiros. Mesmo não sabendo a nossa língua, todos são simpáticos e tentam ajudar", afirmou Shdi A Tamur, estudante de medicina.
Universitários
Os 18 estudantes sauditas são os melhores universitários de medicina, engenharia elétrica, eletrônica e aeronáutica de sete universidades da Arábia Saudita. De acordo com Tamur, o intercâmbio ao Brasil é patrocinado por empresas privadas do país e na volta da viagem os estudantes precisam apresentar um relatório sobre o que viram.
Segundo ele, todas as universidades na Arábia Saudita são estatais e os alunos ainda recebem um salário mensal de US$ 200 para ajuda de custos. Os jovens chegaram ao Brasil na sexta-feira (12).

