São Paulo – A Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fambras) realizou esta semana no Instituto Rio Branco, em Brasília, a terceira edição do curso O Mundo Islâmico, em parceria com o Itamaraty. “Um dos objetivos é tentar levar um conhecimento aprofundado sobre o islamismo para as pessoas que fazem as políticas públicas, que às vezes não têm uma percepção bastante clara sobre o tema”, disse o vice-presidente da Fambras, Ali Hussein El Zoghbi.
Embora o público-alvo fosse diplomatas que trabalham com países árabes e islâmicos, Zoghbi ressaltou que houve expressiva participação de funcionários de diferentes ministérios, como os da Defesa, Saúde, Educação, Banco Central, entre outros.
“São pessoas que de alguma forma trabalham com questões muçulmanas ou com países islâmicos”, afirmou. “[O programa] atinge perfeitamente uma gama de pessoas ávidas para conhecer [mais sobre o tema]”, acrescentou.
Ele destacou que o curso tratou do Islã por diversas abordagens, como história, filosofia, sociologia, antropologia, geopolítica, economia, finanças e mercados. “Não vejo outro caminho, uma em cada quatro pessoas no mundo é muçulmana, isso mostra a importância de se conhecer os muçulmanos e o islamismo”, declarou.
Zoghbi disse que, do ponto de vista econômico, não é possível ignorar o tamanho do mercado consumidor representado pelos muçulmanos, e quando se fala em paz internacional, é impossível marginalizá-los da discussão.
Com a ascensão do grupo terrorista autointitulado Estado Islâmico e com os atentados em Paris no dia 13 de novembro, o curso, segundo ele, ganhou ainda mais importância. “Na medida em que há um grupo extremista cometendo atrocidades em nome da religião, [o curso] ganhou mais importância”, observou. Zoghbi ressaltou que o conteúdo serve “para afastar esta associação”.
O vice-presidente da Fambras avalia que há mais espaço hoje na imprensa e em outros fóruns para a opinião dos seguidores da religião e para entidades muçulmanas “manifestarem que estes atos bárbaros não têm nada a ver com religião nenhuma”. Exemplo disso é que em 2016 a federação deverá organizar uma edição do curso em São Paulo para jornalistas, a pedido de profissionais do setor, segundo Zoghbi.
Livro
Além disso, o Itamaraty planeja lançar um livro em 2016 com o conteúdo “condensado” do curso. Cada palestrante enviou um texto sobre seu tema específico para fazer parte da edição. A realização das Olimpíadas no Rio de Janeiro, no próximo ano, e a necessidade do País receber pessoas de diferentes origens é também fator de aumento do interesse pelo tema.
Entre os palestrantes estiveram o próprio Zoghbi, os professores Paulo Hilu, da Universidade Federal Fluminense (UFF), Jamil Iskandar, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Andrew Patrick, do Centro Universitário Unicuritiba, Beatriz Bíssio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Gisele Fonseca Chagas, da UFF, Mohamed Habib, da Universidade de Campinas (Unicamp), Hussein Kalout, pesquisador do Weatherhead Center for International Affairs da Universidade de Harvard, o presidente do Instituto da Cultura Árabe (Icarabe), Salem Nasser, a gerente regional para a América Latina do National Bank of Abu Dhabi (NBAD), Angela Martins, e o vice-presidente de Comércio Exterior da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Rubens Hannun.


