São Paulo – Os países atingidos pela Primavera Árabe perderam mais de US$ 55 bilhões com receitas e produtividade por causa das revoltas e conflitos ocorridos este ano. É o que mostra um relatório divulgado nesta sexta-feira (14) pela consultoria de risco político Geopolicity. O mesmo estudo revela que as nações árabes que não tiveram crises registraram ganhos entre janeiro e setembro de 2011.
Somadas, as perdas de Líbia, Síria, Egito, Tunísia, Bahrein e Iêmen chegam a US$ 55,84 bilhões. Desse total, segundo o estudo, US$ 35,28 bilhões foram prejuízos aos cofres públicos, como queda de arrecadação. Outros US$ 20,56 bilhões são resultado da perda de produtividade que estes países tiveram por causa dos conflitos.
Os mais prejudicados pelas revoltas, conforme o levantamento da Geopolicity, foram Síria, que perdeu US$ 27,3 bilhões, e Líbia, que registrou US$ 14,2 bilhões em prejuízos. A Tunísia, onde os levantes começaram, perdeu US$ 2,5 bilhões. Já o Iêmen, onde até o presidente ficou ferido, teve prejuízos de US$ 980 milhões.
As receitas da Líbia caíram 84% e, do Iêmen, 77%. O estudo foi feito com dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) e não considera perdas com ausência de investimento externo, mortes, nem danos à infraestrutura dos países afetados.
Por outro lado, os países árabes que não tiveram revoltas registraram aumento das suas receitas e do seu Produto Interno Bruto (PIB). É o caso, por exemplo, dos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Kuwait.
A receita dos Emirados cresceu 31,86%, a do Kuwait 27,7% e a da Arábia Saudita 25,13%. Estes países são exportadores de petróleo e, segundo o levantamento, se beneficiaram do aumento do preço da commodity. No começo do ano, o petróleo tipo Brent era vendido a US$ 90, teve picos de US$ 120 e está cotado a US$ 113.
O relatório sugere que os países árabes que enfrentam revoltas precisam adotar três medidas para resolver seus problemas: estabilidade política baseada em integração regional, equilíbrio e responsabilidade financeira e esforços para realizar processos democráticos.
O estudo afirma que empréstimos de outros países só irão ajudar estas nações a restabelecer seu sistema financeiro, porém, não ajudam em problemas políticos. O relatório afirma ainda que, mesmo com as perdas, a produção econômica da região teve alta de US$ 38,9 bilhões na comparação com o ano anterior.

