Isaura Daniel
isaura.daniel@anba.com.br
São Paulo – A indústria Santana Têxtil, fabricante brasileira de índigo, foi buscar em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, informações de moda para levar até seus clientes, fabricantes de roupas em jeans. No mês de janeiro, duas profissionais da empresa, as estilistas Iorrana Aguiar e Raquel Tavares, passaram uma semana pesquisando o mercado do país árabe. Descobriram consumidores com poder aquisitivo alto, com informações de moda, que gostam de jeans sofisticados, rebuscados, com brilho, pedraria, metais, detalhes e muito luxo. No Brasil, os dados chegaram a cerca de 2,5 mil pessoas, entre confeccionistas, estilistas e profissionais da área têxtil, que são clientes da empresa.
"Dubai é a Meca do consumo no mundo árabe. Tem 47 shopping centers, é uma Disney no meio do deserto", afirma Iorrana, coordenadora de Marketing de Moda da Santana Têxtil. A intenção da empresa, com a realização da pesquisa em Dubai, foi trazer informações sobre o perfil do jeans consumido no local e também mostrar o potencial de mercado que há na região aos clientes. De acordo com Raquel, que integra a equipe de Marketing de Moda, a empresa quer despertar o interesse das confecções para o mercado árabe. "Muitas empresas afirmam que no Brasil esse mercado de luxo é pequeno e está saturado. Então, porque não entrar em novos mercados?", sugere Raquel.
A Santana Têxtil lançou, em novembro do ano passado, uma linha de índigo, chamada Loco, para a confecção de produtos mais sofisticados. "Tem maior valor agregado, mais concentração de corante índigo e 20% mais fios do que a linha básica. Tem mais densidade e resistência e mais solidez de cor", resume Iorrana. Ela esclarece, porém, que o produto é voltado para o mercado de luxo atual e moderno, que é acessível. "Tem valor um pouco mais elevado, mas não é muito caro", explica. A empresa, cuja sede fica no estado do Ceará, fabrica seis milhões de metros de índigo por mês.
As informações sobre o mercado de Dubai foram repassadas pela Santana Têxtil aos seus clientes no mês de março em encontros chamados de Café Première. Todos os anos, a companhia faz eventos deste tipo para informar as confecções com as quais trabalha sobre as últimas tendências de moda. Além dos Emirados, as duas estilistas também fizeram pesquisas em Barcelona, na Espanha, na feira Bread & Butter, maior feira mundial de street wear e jeans wear do mundo, que ocorreu em janeiro. Os dados coletados, sobre tendência de moda para a próxima primavera/verão, também foram tema do Café Première, que foi realizado em oitos estados brasileiros.
A Santana Têxtil nasceu em 1963, como uma fábrica de redes, atuou também com fiação, e virou tecelagem de índigo em 1996. No começo das atividades fabricava 700 mil metros de tecidos por mês. A empresa conta atualmente com a matriz, na cidade de Horizonte, no Ceará, e tem também duas unidades no Rio Grande do Norte e uma no Mato Grosso. Em outubro deste ano vai inaugurar uma fábrica na Argentina. As exportações respondem por 10% da produção. "Primeiro suprimos o mercado interno. Temos um compromisso com o Brasil", diz Iorrana. As exportações vão para países do Mercosul.

