Dubai e São Paulo – Ao chegar em Dubai na noite do dia 18 de novembro e fazer o trajeto do aeroporto ao hotel, na Sheikh Zayed Road, foi impossível não notar a enorme quantidade de bandeiras, cartazes e faixas espalhadas pela cidade em comemoração aos 40 anos da fundação dos Emirados Árabes Unidos, completados no dia 02 de dezembro.
O vermelho, o verde, o branco e o preto da bandeira estavam por toda a parte, nas ruas, nos hotéis, nos shoppings, na televisão, nos jornais, assim como os rostos dos antigos e atuais governantes do país. A data foi o principal tema da imprensa local nos dias que a antecederam e motivo de inúmeras cerimônias, shows e eventos esportivos.
As comemorações incluíram entusiasmadas declarações de amor de nativos e de estrangeiros que vivem no país, hoje maioria esmagadora da população. E motivos para comemorar existem. Afinal, nestes 40 anos, os sete emirados do Golfo deixaram de ser comunidades de pescadores, comerciantes e tribos beduínas para se tornar a mais vibrante economia do mundo árabe.
As iniciativas que levaram à formação dos Emirados e ao seu desenvolvimento foram pragmáticas. Em 1968, o Reino Unido, que até então mantinha os chamados “Estados da Trégua”, ou “Trucial States”, em inglês, como protetorado, anunciou que iria se retirar da região. Os britânicos eram responsáveis pela política externa e pela segurança dos pequenos emirados do Golfo.
A região, antes conhecida pela pesca e comércio de pérolas, já tinha começado a ganhar importância geopolítica com a descoberta e início da produção de petróleo, primeiro em Abu Dhabi e depois em Dubai. Sem os ingleses, que fixaram o final de 1971 como data para a retirada, os líderes locais viram na união a única maneira de fazer frente à cobiça de potências regionais, como a Arábia Saudita, Iraque e Irã.
O processo de criação da federação foi capitaneado pelo xeque Zayed Bin Sultan Al Nahyan, na época emir de Abu Dhabi, o maior dos sete emirados que compõem o país e o mais rico em petróleo. A união teve início com a assinatura de um acordo de união entre Abu Dhabi e Dubai, na época governado pelo xeque Rachid Bin Said Al Maktoum, pai do atual líder do emirado, Mohammed Bin Rachid Al Maktoum.
O país foi criado oficialmente em 02 de dezembro de 1971, quando o documento de fundação foi assinado pelos governantes de Abu Dhabi, Dubai, Sharjah, Ajman, Fujairah e Umm Al Qaiwain. Ras Al Khaimah, o sétimo emirado, só se juntou à federação no ano seguinte. A adesão do Catar e do Bahrein foi cogitada, mas não ocorreu.
Zayed se tornou presidente dos Emirados, cargo que ocupou até sua morte, em 2004. Ele é uma figura bastante reverenciada e seu retrato pode ser encontrado por todos os lados. Hoje, seu filho, Khalifa Bin Zayed Al Nahyan, é o presidente, sendo que o emir de Dubai, Mohammed Bin Rachid, é o vice-presidente e primeiro-ministro, cargos antes ocupados por seu irmão e seu pai.
O xeque Mohammed só assumiu oficialmente o poder em Dubai em 2006, com a morte de seu irmão, Maktoum, mas é considerado o principal artífice do impressionante desenvolvimento do emirado nas últimas duas décadas. Ele é tão popular que as cores das suas roupas e os carros que usa viram moda.
O pragmatismo impulsionou também o desenvolvimento econômico, principalmente em Dubai, pois lá o petróleo é mais escasso do que em Abu Dhabi. Ao longo das últimas décadas, o país em geral, e o emirado em especial, tratou de diversificar sua economia para não depender apenas dos finitos recursos petrolíferos.
Dessa maneira, o dinheiro da indústria petrolífera serviu para financiar a ampliação de setores tradicionais, como o comércio exterior, praticado há séculos na região, e o surgimento de novos, como o turismo, a construção e a indústria.
Assim surgiram marcos como o porto e a zona franca de Jebel Ali, o Burj Al Arab, hotel de luxo e principal cartão postal de Dubai, a ilha artificial Palm Jumeirah, o Burj Khalifa, edifício mais alto do mundo, o circuito Yas Marina, o parque Ferrari World e a grandiosa mesquita Xeque Zayed.
O petróleo tem ainda papel importante na economia, mas o país conseguiu se estabelecer como polo internacional de negócios, centro financeiro, referência em logística marítima e aérea e atrai turistas de todos os cantos do mundo. Em novembro, os hotéis e shoppings estavam abarrotados de visitantes.
Com o crescimento econômico, os Emirados viraram também a segunda pátria de muita gente. Como sua população nativa é pequena, o país teve que importar muita mão de obra. Hoje os estrangeiros são a grande maioria dos cerca de 8,2 milhões de habitantes. Nas ruas, nativos e estrangeiros agitavam as cores nacionais.

