São Paulo – Uma missão do governo brasileiro, chefiada pelo ministro da Pesca e Aqüicultura, Altemir Gregolin, chega neste domingo (19) em Ramallah, na Palestina, para dar andamento ao programa de ajuda humanitária oferecido pelo Brasil. No início de março, em reunião de países doadores realizada no Egito, o chanceler Celso Amorim anunciou ajuda de US$ 10 milhões do país à reconstrução da Faixa de Gaza.
“Existe um acordo entre os dois governos [Brasil e Autoridade Nacional Palestina (ANP)] sobre a finalidade dos recursos, que contempla três áreas: segurança alimentar, saúde e educação”, disse Gregolin à ANBA. Ele viaja acompanhado de representantes dos ministérios da Agricultura, Educação e Saúde.
Na sua seara de atuação, o projeto envolve investimentos em infraestrutura para a piscicultura, dentro do item segurança alimentar. Segundo o ministro, está prevista a construção de três estações para a produção de alevinos (filhotes de peixes) “para garantir material genético” para a criação de peixes, construção de tanques para engorda dos animais, transferência de tecnologia e capacitação profissional.
Além das obras civis, isso envolve a vinda de pessoas ao Brasil para treinamento, intercâmbio de know-how para o melhoramento da tilápia, espécie escolhida pelos palestinos, e assistência para a formação de cooperativas de produtores. “A produção local é pequena com a redução da captura no Mediterrâneo, então eles têm que importar. [A aqüicultura] é uma alternativa de oferta de alimentos”, declarou Gregolin.
Além da criação de peixes, há interesse dos palestinos em absorver conhecimento para utilizar a água posteriormente em áreas agrícolas. De acordo com o ministro, na agricultura o Brasil vai colaborar com a capacitação de mão-de-obra, formulação de políticas para o setor e assistência técnica, inclusive no abastecimento, com o auxílio à introdução de iniciativas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que no Brasil é desenvolvido pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O PAA envolve a compra pela estatal da produção de agricultores familiares, a preços justos, para formação de estoques reguladores e doação para famílias carentes. Trata-se de uma das ações do programa Fome Zero.
Na área da saúde, segundo Gregolin, os representantes vão tratar da possibilidade de implantação na Palestina de um Sistema Único de Saúde (SUS) como existe no Brasil, que fornece à população acesso universal e gratuito aos diferentes serviços médicos.
Gregolin acrescentou que, nos dois dias de visita à Palestina, a delegação terá encontros nos ministérios locais da Agricultura, Saúde e Educação. Os recursos, de acordo com ele, já estão à disposição da ANP e os programas são “para implementação imediata”. “Nossa ida para lá tem como objetivo discutir a implementação, já estamos na fase de execução”, destacou.

