Erbil, Iraque – Dizem que os chineses estão por todos os lados, mas brasileiro é também figurinha fácil nos quatro cantos do mundo, até no Curdistão. Um exemplo é o do paulista Marcelo Viana, gerente de marketing da Iridium Solutions, uma empresa de tecnologias da informação sediada em Erbil, capital da região autônoma do norte do Iraque.
Viana aproveitou esta quarta-feira (25) para visitar a Feira Internacional de Erbil, que conta com um estande do Brasil organizado pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira e Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), onde deu uma entrevista à ANBA.
Ele morava no Líbano e trabalhava na Middle East University, instituição adventista de ensino localizada em Beirute, primeiro como voluntário, depois como funcionário. Viana é adventista. Lá conheceu a empresa na qual atua hoje, que pertence a um libanês e a um norte-americano, e chegou a prestar serviço como free-lancer. “Eles gostaram do serviço e me contrataram”, disse. “Eu queria mudar de ares e aceitei a proposta”, acrescentou.
A companhia presta serviços para empresas de petróleo, bancos, hotéis e outros estabelecimentos, com a montagem de sistemas de rede, software e hardware. Um dos destaques é uma estrutura montada dentro de um contêiner, com internet e servidores, que costuma ser alugada por refinarias para trabalhos temporários.
Viana resaltou que a região está em crescimento e que muitos estrangeiros estão se mudando para o Curdistão pois há demanda por mão de obra qualificada. “O que mais me impressionou [em Erbil] foi o tamanho da cidade, que cresce rapidamente, sempre abrem novas lojas, novos shopping centers e chegam novos produtos”, ressaltou. Ele vê boas oportunidades para quem quer exportar e investir na região.
O brasileiro acrescentou que a cidade é “calma e segura”. “Você pode andar com dinheiro sem problemas, e os [moradores] locais estão se adaptando a essa nova realidade [cosmopolita]. Há muita abertura”, declarou.
A língua, no entanto, representa uma barreira. Os mais velhos falam árabe, os mais jovens, só curdo, e pouca gente sabe idiomas ocidentais. Viana garante, no entanto, que isso não tem sido um grande problema para ele, pois na empresa a comunicação é em inglês. “Mas a socialização com os [cidadãos] locais é difícil”, afirmou.
“O brasileiro não tem problema para se adaptar em qualquer lugar, somos muito bem quistos aqui”, afirmou. Viana tem 33 anos, é solteiro e não tem filhos, o que facilita a opção de morar em países distantes.
Mas e o entretenimento? Além do comércio, as opções são restaurantes, há um boliche e alguns cinemas, abertos recentemente – antes só havia sala na cidade de Suleimaniyah. “Acho interessante ver esta nova realidade”, comentou. Visitas à antiga cidadela e ao bazar no centro da cidade são populares entre os visitantes.
Há também bares no bairro cristão de Ankawa e lugares para fumar shisha, ou narguilé, em vários pontos da cidade, mas Viana não bebe nem fuma. As opções culturais são poucas, geralmente não há shows nem teatro. “Se tudo der certo, espero ficar aqui mais uns três anos”, contou.
Visita ilustre
Outra visita ao estande brasileiro na feira foi do primeiro ministro do Governo Regional do Curdistão, Nechirvan Barzani. Ele recebeu uma camisa da Seleção Brasileira do diretor-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, e ficou feliz com o presente.
Bem-humorado, o político falou em bom inglês. Perguntou sobre a participação brasileira na feira. “Eu disse que esta é a terceira vez que nós viemos [à mostra], que este ano estamos com nove empresas e que no próximo pretendemos aumentar [o número de participantes]”, afirmou Alaby. “Ótimo, cada vez mais queremos ver o Brasil presente no Curdistão”, replicou o primeiro-ministro.


