Isaura Daniel
São Paulo – O colorido é a principal marca delas. São brincos, colares, anéis, braceletes, bijuterias nas mais variadas misturas de cores. Começaram a ser feitas pelo designer fluminense Carlos Alberto Rezende Sobral, na década de 70, e hoje são usadas por mulheres de dezenas de países. As peças estão inclusive nos países árabes. Importadores dos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Líbano costumam buscar as bijuterias de Carlos Alberto no atacado que ele mantém em Paris, na França.
Elas são fabricadas em resina de poliéster, material que, além de dar uma textura lisa ao produto, evidencia as cores. Tudo começou, na verdade, quando Carlos Alberto descobriu a resina nas peças feitas por um artesão argentino que estava de passagem por Cabo Frio. Era final da década de 70. Em 1980, o fluminense já estava com sua empresa aberta, a RSobral, e desenvolvia coleções para estilistas brasileiros. O mercado externo veio logo depois, quando o artesão colocou suas peças na mala e foi vendê-las na França.
Atualmente a França é a grande porta de entrada das bijuterias de Carlos Alberto. A RSobral possui um showroom em Paris, de onde as peças são distribuídas para vários países. O designer nem sabe para quantos. "Eles (estrangeiros) chegam lá, compram e levam", diz. Mas sabe que entre os seus clientes estão os árabes. Um dos clientes árabes mais antigos, da Arábia Saudita, que começou a comprar as peças em 2001, propôs inclusive a abertura de uma franquia da marca em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
As negociações sobre o assunto devem seguir no próximo ano. O empresário brasileiro quer dar tempo para que o projeto das franquias amadureça, já que ele foi iniciado há apenas três anos. As bijuterias da RSobral são vendidas atualmente em quatro lojas próprias, no Rio de Janeiro, em um atacado e uma loja de varejo na França. Também há franquias em Natal, no Rio Grande do Norte, em Porto de Galinhas, em Pernambuco, em Portugal e na Espanha. As peças ainda são exportadas diretamente do Brasil para Inglaterra, Austrália, Portugal, Alemanha, Dinamarca, Suíça, Estados Unidos, África do Sul e Espanha.
Arte e renda
Os produtos são feitos em uma fábrica que a RSobral tem em Nova Iguaçu, que emprega 650 pessoas. De acordo com Carlos Alberto, são transformadas, na unidade, cerca 4,5 a 5 toneladas de resina por mês. No segundo semestre deste ano, o empresário pretende abrir uma nova fábrica, na cidade fluminense de Japeri, um dos municípios mais pobres da baixada fluminense. Segundo o designer, as fábricas são abertas sempre em locais de baixa renda justamente para levar oportunidades de trabalho para a população carente.
Além das bijuterias, A RSobral também fabrica outros produtos, principalmente móveis e objetos de decoração, como cadeiras, tampas de vaso e espelhos. Carlos Alberto conta que uma princesa árabe dos Emirados comprou, há cerca de quatro anos, 18 tampas de vaso sanitário multicoloridas para a sua residência, no showroom da empresa em Paris.
Atualmente, entre os produtos exportados pela RSobral, metade é bijuteria e metade outros tipos de artigos. Do total produzido, 33% é comercializado no mercado externo. Carlos Alberto chegou a fazer, no final da década de 80, quando a empresa recém começava, uma coleção de bijuterias para o estilista italiano Valentino. O tecido usado pelo estilista em sua coleção de roupas, foi encapsulado dentro de braceletes de resina.
Contato
RSobral
Telefone: +55 (21) 2274-3495
Site: www.rsobral.com.br

