Marina Sarruf
São Paulo – O seminário "Como Negociar com os Países do Golfo Arábico", realizado ontem (17) pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira e pela Federação das Indústrias do estado de Santa Catarina (Fiesc), reuniu, em Florianópolis, cerca de 100 representantes de empresas catarinenses. O encontro serviu para lançar a missão empresarial que as duas entidades vão promover ao mundo árabe no final de outubro. A viagem despertou interesse imediato de 10 companhias.
O evento foi aberto pelo presidente da Fiesc, Alcântaro Corrêa, que confirmou presença na missão. Ele ressaltou que esta será a segunda vez que o estado organiza uma viagem comercial ao Golfo Arábico. Os países que serão visitados são Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Catar. A idéia é levar até 20 empresários. O foco da missão será o setor de construção civil.
De acordo com o secretário-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, que fez uma palestra sobre o setor de construção nos países árabes, o objetivo da missão é mostrar o potencial desses países para os empresários catarinenses. "Estão previstos investimentos de US$ 300 bilhões para os próximos 10 anos na região", afirmou.
Os participantes da missão vão visitar a Big 5, feira da construção civil que vai ocorrer em Dubai, nos Emirados, em novembro, além de centros de distribuição de produtos, lojas, câmaras de comércio e empreendimentos que estão em andamento. Segundo o diretor de relações industriais da Fiesc, Henry Quaresma, que apresentou a missão aos empresários no seminário, os países do Golfo estão vivendo um boom no setor de construção. As inscrições deverão ser feitas até 17 de setembro na Fiesc.
Construção no Golfo
Alaby disse que o setor de construção nos países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) tem apresentado um crescimento sem precedentes. "Espera- se que nos próximos anos haja uma expansão de 11,6% ao ano nesse setor", disse. Ele falou ainda que esse setor se beneficia da estratégia dos governos locais, que buscam diversificar a atividade econômica de modo a não ficarem tão dependentes do petróleo.
A contribuição do setor ao Produto Interno Bruto (PIB) do Kuwait, por exemplo, é de 5%, no Catar de 2,5% e nos Emirados Árabes de 7,2%. A demanda por produtos brasileiros nos países do Golfo são, principalmente, de cerâmica, janelas e portas de madeira, canos e conexões, pedras, ar condicionado, acessórios para banheiro, cozinha industrial e aquecedor.
As exportações brasileiras do setor de construção para os países árabes somaram US$ 128,2 milhões no primeiro semestre deste ano, o que representou um aumento de 4,44% em relação ao mesmo período de 2005. Já as importações do Brasil dos países árabes foram de US$ 14,86 milhões, um crescimento de 1.682% em comparação ao primeiro semestre do ano passado.
Santa Catarina
A indústria de material de construção de Santa Catarina se destaca, principalmente, nas áreas de revestimentos cerâmicos, metais sanitários, madeiras e móveis e tintas. Segundo dados da Fiesc, somente o setor de cerâmica do estado conta com 756 fábricas, que empregam 17 mil pessoas e respondem por 19% da produção nacional deste tipo de mercadoria.
As exportações do estado aos países árabes somaram US$ 86,48 milhões no primeiro semestre desse ano, uma queda de 16,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Os principais produtos exportados para a região foram carnes, ladrilhos de cerâmica, refrigeradores, madeira e óleo de soja.
Já as importações catarinenses dos países árabes somaram US$ 12,8 milhões de janeiro a junho desse ano, contra US$ 6,5 milhões no mesmo período do ano passado. Sardinhas, fosfatos e derivados e fios de algodão foram os principais produtos importados pelo estado dos países árabes.
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