São Paulo – Um estudo do Banco Mundial divulgado na terça-feira (28) aponta que a diáspora pode ser um propulsor importante para o desenvolvimento, a cooperação, o comércio, a globalização, a integração e o empreendedorismo no Oriente Médio e Norte da África (Mena, na sigla em inglês). Segundo a instituição, esse potencial não é bem aproveitado.
Pesquisa feita com cerca de mil pessoas que migraram apontou que 68% estão dispostos a investir capital e no comércio com o país de origem. Um terço gostaria de abrir uma empresa no local. Entre as preferências de investimentos dos expatriados do Mena estão majoritariamente o setor imobiliário, os investimentos diretos e títulos financeiros.
Mas mais da metade da população da diáspora do Oriente Médio e Norte da África, porém, afirma que o fraco ambiente de negócios é obstáculo para o investimento, além da falta de informações sobre as regras locais e as oportunidades existentes. Falta de capital humano e regime tributário também foram citados como impedimento, mas por parcela pequena.
Para 14%, a Primavera Árabe fez cair o interesse em desempenhar um papel de desenvolvimento em seu país de origem. Para 26%, o interesse aumentou e para 60% o acontecimento não mudou nada. Entre os tunisianos ouvidos, o percentual dos que se desinteressaram por ajudar o país foi maior: 51%, contra 34% com interesse maior.
Apesar desses fatores, a maior parte dos migrantes se sente fortemente ligada ao país de origem. Entre os entrevistados, 85% afirmaram que a nação é importante para eles e percentual similar disse que gostaria de estar mais ligado ao país. Dados da pesquisa mostram que mais de 5% da população do Mena vive no exterior e muitos trabalham em outro país.
O Banco Mundial afirma que o conhecimento se move quando as pessoas também o fazem e cita o exemplo da Índia, cuja indústria de alta tecnologia tem crescido impulsionada pelos imigrantes indianos e pessoas que retornaram da diáspora. Na região Mena, a instituição afirma que os expatriados são responsáveis pela maior parte das patentes registradas.
O estudo aponta que apenas alguns países do Oriente Médio e Norte da África fazem esforços para envolver sua diáspora em questões de desenvolvimento. O governo marroquino é citado como o que tem uma das abordagens mais ambiciosas, com o Centro Regional de Investimentos, que dá atenção a projetos liderados pela diáspora, e a Casa de Marroquinos que Vivem no Exterior, programa de informação para expatriados que retornam ao país.
O Banco Mundial afirma que os governos do Mena ganhariam ao reconhecer formalmente a contribuição dos cidadãos que vivem no exterior para além das remessas financeiras, principalmente com políticas públicas. Mas essas ações devem ser diferentes segundo a realidade de cada região ou país, de acordo com o organismo. “Os governos também devem encorajar a diáspora a contribuir com pesquisa e inovação em seus países”, diz o estudo.
Dados usados no estudo mostram que a diáspora palestina é composta por 1,8 milhão de pessoas, a do Marrocos, por 1,58 milhão, e a do Iraque, por 1,5 milhão de cidadãos. Segundo o Banco Mundial, no Egito esse grupo é de 1,3 milhão de pessoas, e na Argélia, por 905 mil. Esses são os cinco países árabes com maior número de expatriados. A pesquisa de amostragem foi feita de forma online e teve um total de 827 respostas válidas num total de mil.


