Alexandre Rocha
São Paulo – O novo embaixador do Kuwait em Brasília, Waleed Al-Kandari, pretende dar prioridade à facilitação do comércio entre seu país e o Brasil durante sua gestão à frente da embaixada. Ele desembarcou na capital federal em setembro e ontem (16) deu uma entrevista exclusiva à ANBA. "Existe uma nova linha no governo do Kuwait, que consiste em se abrir para o mundo, abrir o mercado e receber mais investimentos e empresas estrangeiras", disse.
Neste sentido, o diplomata quer desde já se empenhar na negociação de acordos econômicos com o Brasil. "O último acordo assinado entre os dois países é de 1975. Temos que assinar outros que sejam vantajosos para os dois países, como por exemplo um tratado de proteção de investimentos e outro para evitar a bitributação", afirmou.
Para o embaixador, o comércio entre o Brasil e o Kuwait tem muito espaço para crescer. As exportações brasileiras ao país árabe renderam US$ 91 milhões entre janeiro e setembro deste ano, sendo que as principais mercadorias embarcadas foram carne de frango, carne bovina, tratores de lagartas e outros veículos do gênero e calçados. As importações, por sua vez, somaram apenas US$ 550,5 mil e as principais mercadorias da pauta foram polietileno, resíduos de alumínio e fibra de vidro.
"Vamos trabalhar duro para melhorar as relações nas diferentes áreas", afirmou Al-Kandari. "Hoje no mundo inteiro um dos campos mais importantes do serviço diplomático é a diplomacia econômica", acrescentou.
Ele acredita que alguns impulsos ao comércio bilateral devem ocorrer logo, como a missão de empresários catarinenses que vai visitar três países do Golfo Arábico, inclusive o Kuwait, no final do mês. "Fiquei feliz em chegar ao Brasil às vésperas da partida desta delegação", declarou.
Outro impulso poderá vir das negociações entre o Mercosul e o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) para um acordo de livre comércio. Na última reunião, realizada em Riad, capital da Arábia Saudita, na semana passada, ficou decidido que as duas partes vão trabalhar para incluir todo o comércio bilateral no tratado. O GCC é um bloco econômico do qual fazem parte, além do Kuwait e da Arábia Saudita, o Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos e Omã.
Antes de chegar ao Brasil, Al-Kandari foi o primeiro embaixador kuwaitiano no Uzbequistão. Ele ingressou na carreira diplomática em 1994 e atuou também nas embaixadas do país árabe em Madri, Bahrein e Bruxelas. O embaixador estudou nos Estados Unidos e é formado em ciências políticas com pós-graduação em marketing.
O país
Localizado na Península Arábica, o Kuwait é um país pequeno mas com grande poder econômico, já que detém 10% das reservas mundiais provadas de petróleo. Segundo informações da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, o produto interno bruto (PIB) kuwaitiano é de US$ 72,5 bilhões (2005) para uma população de 2,9 milhões de habitantes.
Além do petrolífero, são importantes no país os setores de construção, transportes e a indústria têxtil. O Kuwait é membro da Organização Mundial do Comércio (OMC).

