São Paulo – A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, alertou nesta sexta-feira (23), em Washington, durante a reunião anual do FMI e do Banco Mundial (Bird), que os países precisam agir juntos para enfrentar a crise econômica. Lagarde disse que os riscos às economias cresceram porque a recuperação desde a crise de 2008 se mostrou fraca e irregular. Durante este evento, representantes do Fundo, do Bird e dos bancos centrais se reúnem para discutir os rumos da economia global.
Ela afirmou que as economias pobres e emergentes estão colhendo neste momento os resultados das boas e sensatas políticas econômicas adotadas no passado. Lagarde lembrou, contudo, que “o Sul não está imune aos efeitos do Norte”. “Sejamos francos, a carga primária de responsabilidade pela crise atual encontra-se com as economias avançadas”, disse Lagarde.
A diretora-gerente do FMI citou três focos de combate à crise: políticas fiscais para reduzir a falta de credibilidade que afeta a recuperação; financiamento para fortalecer os bancos e ajudá-los a alavancar as economias; e reformas estruturais para impulsionar a competitividade e o crescimento.
“A criação de empregos deveria ser a nossa meta. Mas, hoje, estamos arriscados a perder a batalha pelo crescimento. Vemos nuvens negras sobre a Europa e uma grande incerteza nos Estados Unidos. Corremos o risco de um colapso global de demanda.”
Na abertura do encontro, realizada quinta-feira (22), Lagarde já havia afirmado que as economias mundiais precisam seguir a “receita” dos quatro “R” para recuperar o crescimento, a geração de empregos e o consumo: reparo, reforma, reequilíbrio e reconstrução.
Segundo a diretora-gerente do FMI, o papel do Fundo, por sua vez, é realizar pesquisas econômicas com foco nas vulnerabilidades dos países, emprestar dinheiro para ajudar as nações, especialmente as mais pobres, em gastos com saúde e educação e oferecer treinamento e assistência para capacitar os países a atenderem seus cidadãos.
A última previsão para e economia mundial, divulgada pelo FMI na terça-feira (20), aponta para um crescimento médio de 6,4% do Produto Interno Bruto (PIB) das economias emergentes em 2011. Já os países desenvolvidos deverão crescer 1,6% no mesmo período. A previsão para o Brasil foi revista para baixo e agora é de 3,8% do PIB. O governo brasileiro ainda prevê crescimento de 4,5%.

