Geovana Pagel, enviada especial
Belo Horizonte – O presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB), Antonio Sarkis Jr., e o secretário-geral da entidade, Michel Alaby, apresentaram algumas das oportunidades para estreitar as relações comerciais entre brasileiros e árabes, durante o seminário realizado na manhã de ontem (16), em Minas Gerais. O encontro fez parte do cronograma da visita do Conselho dos Embaixadores Árabes no Brasil ao estado.
O presidente da Câmara Árabe destacou que os principais produtos das exportações mineiras à Liga Árabe são minério de ferro, açúcar, café, carne de frango, carne bovina, tubos de ferro e aço, automóveis, laticínios e os diamantes que, segundo ele, ocupam lugar de destaque na pauta de produtos enviados pelo estado ao mercado árabe.
Os árabes, por sua vez, são potenciais fornecedores de itens como fertilizantes, algodão, goma arábica, plásticos, materiais elétricos e gêneros alimentícios como sardinha, tâmaras, azeite de oliva, especiarias e enlatados.
"Temos notado uma diversificação muito grande por parte dos empresários mineiros que estão gerando novas oportunidade de negócios com maior valor agregado, como jóias, cosméticos e calçados. Muitos deles têm participado de feiras setoriais no mercado árabe para mostrar, por exemplo, o diferencial da moda brasileira", afirmou Sarkis.
De acordo com ele, as oportunidades para parcerias entre empresários brasileiros e árabes poderão ser integradas em segmentos como laticínios, balas, chocolates, biscoitos, grãos, carnes processadas e construção civil, setor este que por estar em pleno crescimento, em diversos países árabes, pode significar grandes contratos para construtoras e fornecedores de material elétrico.
Sarkis destacou ainda que, por meio de parcerias com órgãos do governo federal, como a Agência de Promoção das Exportações do Brasil (APEX), a CCAB estará participando de 15 feiras internacionais nos países árabes, nos mais diferentes segmentos, até o final de 2005.
"No caso de participação em feiras, a Câmara Árabe está apta a contribuir como os empresários, não só com a assessoria necessária para negociar, mas com a logística e instalações nos eventos", afirmou Sarkis.
Segundo ele, a Câmara Árabe também cuida da recepção de delegações, autoridades e empresários árabes em visita ao Brasil.
Números
O secretário Alaby se encarregou da apresentação dos dados econômicos (como PIB, população, principais produtos importados e exportados) dos 14 países árabes que possuem representação diplomática no Brasil. São eles: Arábia Saudita, Argélia, Egito, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Jordânia, Kuwait, Líbano, Líbia, Marrocos, Palestina, Síria, Sudão e Tunísia.
"É importante saber que, além do comércio, temos que investir em investimentos diretos, formação de joint-venture, transferência de tecnologia, turismo, serviços médicos, pesquisa e desenvolvimento agrário e na criação de linhas aéreas e marítimas", afirmou Alaby.
E para que esta aproximação realmente seja concretizada, destacou o secretário-geral, é importante que o país invista na assinatura de acordos comerciais. "Todos os países querem exportar. Por isso é preciso encontrar formas que garantam esta aproximação e este comércio bilateral", afirmou.
Também fez apresentação no seminário, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Robson Braga de Andrade. Ele falou sobre o sistema Fiemg e os setores industriais de maior sinergia com as demandas dos países árabes.
Outro palestrante foi o secretário de desenvolvimento econômico do governo do estado de Minas Gerais, Wilson Brumer, que falou sobre a economia do estado, parcerias e investimentos. Destacou setores como agronegócio, automóveis, auto-peças, calçados, cosméticos, gemas e pedras preciosas.
Os embaixadores
A comitiva de embaixadores árabes que visitou o estado de Minas Gerias durante dois dias, 15 e 16 de junho, foi chefiada pelo embaixador da Palestina e Decano do Conselho, Musa Amer Odeh, e formada ainda por mais sete diplomatas: o embaixador da Tunísia, Hassine Bouzide; o da Argélia, Lahcène Moussaoui; o da Líbia, Mohamed Heimeda Matri; o do Kuwait, Hamood Al Roudhan; o do Líbano, Fouad El-Khoury; do Marrocos, Ali Achour, e o embaixador do Sudão, Rahamtalla Mohamed Osman.

