São Paulo – O Djibuti colocou em prática nos últimos anos uma estratégia de promover investimentos em infraestrutura e nos seus portos para crescer e reduzir a pobreza. O plano ainda está em curso e deverá pressionar o setor fiscal do país, elevar a dívida e o déficit em conta corrente. Na segunda-feira (28) o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou um relatório sobre a economia do Djibuti, que é parte da avaliação que a instituição faz todos os anos das economias dos seus países-membros.
Segundo o documento do Fundo, os investimentos em curso estão elevando o Produto Interno Bruto (PIB) do país. Em 2014, o crescimento foi de 6%. Este ritmo deverá crescer para 7% ao ano entre 2017 e 2019, após atingir 6,5% em 2015 e em 2016. A proporção dos investimentos em relação ao PIB deverá atingir 57% ao fim do próximo ano e a inflação, que está em 3% neste ano, deverá acelerar para 3,5% até 2018 em razão do aumento da demanda dos setores de habitação e serviços. A pobreza e o desemprego, porém, ainda estão em níveis elevados.
A dívida do Djibuti deverá subir nos próximos anos e atingir aproximadamente 80% do PIB em 2017 em razão de empréstimos contraídos pelo país com taxas de juros próximas àquelas praticadas no mercado. O FMI alerta que o país não dispõe de muitas fontes de financiamento. “A equipe (do FMI) recomenda (ao governo) priorizar os projetos propostos, com base na sua capacidade de absorção e contenção de recursos, assim como realizar análises de custo-benefício antes que o projeto seja colocado em prática”, afirmou o documento.
O FMI também mostrou preocupação com o sistema bancário do Djibuti, embora reconheça que o Banco Central tem grandes reservas internacionais. Com relação aos bancos, há um aumento da sua dívida ao mesmo tempo que o retorno financeiro dos seus ativos está em queda. O fundo recomenda ampliar a supervisão sobre o sistema bancário e implantar formas de combater a lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo.
O FMI também recomendou a adoção de um programa de geração de empregos e redução da pobreza, assim como medidas de apoio e proteção social aos mais pobres. A instituição sugere direcionar a força de trabalho para setores como o turismo e a pesca, que são algumas das principais atividades econômicas do Djibuti.


