Marina Sarruf
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São Paulo – Dois jornalistas da Argélia – Cherif Rezki, diretor de um dos principais jornais do país árabe, o El Khabar, e Ali Ouafek, diretor do Liberte, maior jornal em língua francesa da Argélia – estiveram no Brasil na semana passada para conhecer os principais centros tecnológicos do país. A vinda dos jornalistas fez parte do "Programa Formador de Opinião", do Ministério das Relações Exteriores.
"A base do programa é mostrar áreas de excelência do Brasil, como Embraer, Embrapa, Petrobras e também mostrar o lado cultural e social. A idéia é dar uma visão abrangente", afirmou a chefe da Coordenação de Divulgação do Itamaraty, Mariana Moscardo.
Os jornalistas, que foram embora no final de semana, visitaram em São Paulo a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Centro Técnico Aeroespacial (CTA). Em Brasília, conheceram a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Cerrados) e o Banco Central. No Rio de Janeiro, eles estiveram na Petrobras e nos estúdios da Rede Globo.
Na Embrapa Cerrados, por exemplo, os jornalistas foram recebidos pelo pesquisador Roberto Teixeira Alves, chefe-geral da unidade, que falou da necessidade de se produzir mais alimentos pensando na preservação do meio ambiente. Ele apresentou aos argelinos dados sobre a tecnologia de integração lavoura-pecuária e disse que nenhum país do mundo tem uma fronteira agrícola com o potencial da brasileira. A Argélia, que está localizada no norte da África, tem 80% do território no Deserto do Saara e apenas 3% das terras do país são agriculturáveis.
A proposta de trazer os argelinos ao Brasil foi da Embaixada do Brasil em Argel. Segundo Mariana, a idéia era justamente divulgar mais o Brasil no país árabe. "Conversamos com a embaixada para saber o que eles (jornalistas) já sabiam sobre o Brasil e o que gostariam de saber", disse. Em Brasília, os jornalistas também visitaram as obras do arquiteto Oscar Niemeyer, também conhecido dos argelinos pela construção da Universidade Mentouri Constantine e pelo projeto da Mesquita de Argel, não construída.
Esse ano, o Brasil já recebeu, pelo Programa Formador de Opinião, jornalistas da Escandinávia, Índia, Bolívia, Uruguai e Paraguai. O programa já existe há mais de 10 anos e, segundo Mariana, o Itamaraty deu ênfase este ano nos jornalistas, mas o programa também convida curadores de museus e cineastas. No ano passado, por exemplo, foram convidados curadores de museus do Peru, que foram conhecer Belém, no Pará.

