São Paulo – Após avaliar as condições da economia do Djibuti, entre os dias 6 e 19 de março, técnicos do Fundo Monetário Internacional (FMI) concluíram que o país tem um desafio pela frente: reduzir o déficit em conta corrente, que cresceu de 5,8% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010 para 12,6% em 2011 por causa do aumento de 5,1% da inflação. Esse é o principal desafio em um país que, por outro lado, conseguiu superar a crise da economia mundial e condições climáticas adversas e crescer em 2011.
"Manter a estabilidade e a disciplina orçamentária permanece como o principal desafio no curto prazo. O orçamento de 2011 resultou em um déficit de 0,8% no PIB, em consequência de choques externos e de uma lenta recuperação durante a transição de governo após as eleições presidenciais", afirma o Fundo em um relatório divulgado na quinta-feira (29).
Em suas conclusões, a missão do FMI chefiada por Carlo Sdralevich observa que, mesmo tendo sido atingido por uma das maiores secas dos últimos 60 anos no Chifre da África, o Djibuti cresceu 4,4% em 2011, em comparação com o crescimento de 3,5% registrado um ano antes. A economia do país cresceu, principalmente, porque houve uma recuperação na atividade portuária e aumento do comércio com a vizinha Etiópia.
O relatório observa que os US$ 228 milhões que o país tem em reservas internacionais permanecem em um padrão "alto" e afirma que, mesmo com a "poderosa" tendência expansionista, a oferta de dinheiro se manteve estável, com um pequeno aumento do crédito disponível ao setor privado.
"O crescimento [em 2012] é projetado para 4,8%, guiado pela retomada na atividade portuária, construção e serviços e pelo aumento do Investimento Direto Estrangeiro (IDE). Estima-se que a inflação cairá para 4,3%, com a estabilização dos preços mundiais de alimentos e a queda nos custos de energia. O déficit em conta corrente deverá ficar estabilizado em 12% do PIB", prevê o FMI.
A instituição também avalia que o aumento do fluxo de capitais na economia local deverá aumentar as reservas internacionais do Banco Central e ajudar o país a se proteger de variações cambiais. Além disso, mais investimento estrangeiro no país, esperado para este ano, deverá tornar mais "favorável" o ambiente bancário local.
O FMI acredita que a Etiópia pode ser um parceiro comercial importante para o Djibuti, mas também um vizinho capaz de ajudá-lo a reduzir custos. Seria interessante, indica o FMI, que as reduções de gastos com energia fossem resultado de uma interligação com os etíopes. O FMI também recomenda que as autoridades locais se esforcem em realizar reformas estruturais que os ajudem a aumentar os investimentos estrangeiros e que promovam o setor privado, além de pedir que façam uma reestruturação nas estatais e que aumentem o acesso da sua população, de cerca de um milhão de habitantes, a serviços públicos.

