São Paulo – O alto-comissário das Nações Unidas para os refugiados, António Guterres, disse na sexta-feira (15) que até agora os países doadores repassaram apenas 30% do que foi pedido para atender os deslocados pelo conflito na Síria, e que faltam cerca de US$ 700 milhões. "Não há nenhuma forma de uma lacuna desta magnitude ser preenchida com os atuais orçamentos", disse Guterres, em Beirute, no Líbano, no dia em que o conflito completou dois anos.
Ele reiterou apelo feito dois dias antes em Amã, na Jordânia, para que os governos enviem doações aos refugiados. Segundo Guterres, a situação dos cerca de 1,1 milhão de deslocados sírios é grave e se o apoio lhes for negado a situação na região ficará ainda mais instável.
Guterres observou que muitos dos refugiados buscam abrigo nos países vizinhos à Síria que, por sua vez, não têm estrutura para abrigá-los. Citou o Líbano como exemplo. O país já recebeu 350 mil pessoas. "Este conflito representa uma ameaça real ao Líbano", declarou.
Na quinta-feira (14), a diretora-executiva do Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA), Ertharin Cousin, afirmou que a instituição está enfrentando “grandes desafios” para alimentar as cerca de 2,5 milhões de pessoas afetadas pelo conflito. Este número inclui os deslocados dentro da própria Síria e os que fugiram para o exterior. Ela afirmou que serão necessários US$ 156 milhões até junho para alimentar todos.
Até agora, o PMA distribuiu mais de um milhão de vales-alimentação e 500 mil pacotes com alimentos nos países vizinhos. No campo de refugiados de Zaatari, na Jordânia, mais de três milhões de refeições foram servidas.

