Marina Sarruf, enviada especial
Doha – O Catar está se preparando para ampliar suas conexões com o mundo. Até 2009 o país vai contar com um novo aeroporto e um vôo direto para o Brasil. O investimento total do aeroporto é de US$ 10 bilhões. Com 35 quilômetros quadrados, ele vai ter a segunda maior pista do mundo, com 4,85 quilômetros. Para se ter uma idéia do tamanho da obra, 75 empresas da região e do mundo estão trabalhando neste projeto.
As obras do Novo Aeroporto Internacional de Doha (NDIA), na capital do Catar, foram visitadas no último sábado (04) pela missão empresarial catarinense do setor de construção ao Golfo Arábico. A viagem, que começou 26 de outubro e termina hoje, foi organizada pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) e pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira.
De acordo com o engenheiro encarregado da construção, David Robinson, da incorporadora americana Overseas Bechtel, a estimativa é que o aeroporto receba 24 milhões de passageiros por ano a partir de 2009. Até o momento, já foram investidos US$ 6,4 bilhões para preparar o solo. "Esse projeto está em andamento há 10 anos, mas ficou parado por cinco anos quando foi achado gás no local", disse.
Para o aterro hidráulico do solo foi preciso de 60,5 milhões de metros cúbicos de areia. Segundo Robinson, em dois metros de profundidade já é possível encontrar água no solo do Catar. Por isso há necessidade de compactar muito bem o solo. O terminal de passageiros, por exemplo, está sendo construído a seis metros acima do nível do mar e as pistas a três metros.
Outro dado que impressionou os empresários catarinenses foi o tamanho do túnel escavado para a passagem dos cabos e tubos de energia, gás e para outras operações, de 500 quilômetros. O novo aeroporto ainda vai contar com uma Mesquita, que será a maior do país, um hotel, uma área de armazenagem de produtos e um terminal exclusivo para o emir do Catar.
Pelas obras do aeroporto circulam 3,5 mil caminhões diariamente. Apenas da Overseas Bechtel 150 pessoas estão trabalhando no local. Segundo o gerente de construção da empresa americana, Bill Smith, das 75 companhias que atuam na obra, 50 são subcontratadas pelas principais. A Overseas Bechtel também já está preparada para começar as obras de um novo porto no Catar, que ficará a oito quilômetros de distância do aeroporto e também terá investimentos de US$ 10 bilhões.
Além do aeroporto, a companhia aérea do país, a Qatar Airways, também está em processo de ampliação de vôos. A empresa vai criar uma linha direta para o Brasil e acredita que os primeiros vôos terão uma freqüência de quatro por semana e depois passarão para um por dia. "O Brasil tem um grande potencial como destino. É um país que está crescendo e atrai empresários do mundo todo", disse o gerente geral de planejamento da empresa, Richard Roberts.
Segundo ele, o Brasil deverá ser o primeiro país sul-americano a ter um vôo direto para o Catar. A empresa árabe conta com uma frota de 50 aeronaves e voa para 70 destinos. No ano passado a companhia transportou 6,5 milhões de passageiros e as estimativas para este ano são de transportar oito milhões. "Estamos crescendo 30% ao ano em número de passageiros. Até 2015 pretendemos dobrar o número de passageiros", disse Roberts.
A Qatar Airways, que pertence metade ao governo e metade as empresas privadas do Catar, pretende ainda aumentar a cada ano entre cinco a sete destinos. A empresa emprega sete mil funcionários.

