São Paulo – Protagonistas da indústria têxtil, as empresas do setor sabem que a moda é fator primordial para garantir que seus produtos vão sair rápido das prateleiras das lojas. Atentas a isso, não medem esforços para pesquisar tendências, buscar novos tecidos e modelagens, oferecer novidades em ritmo cada vez mais acelerado aos consumidores. Não importa se a peça em questão é um par de meias: serão meias fashion, nos tons da temporada, por que não?
"Além das viagens internacionais para pesquisa, feitas pelo Departamento de Estilo, temos que saber as principais cores a serem usadas na estação, o que vai ser tendência em moda", explica a estilista da Lupo, Patrícia Janoni. "Pesquisamos se no inverno vai se usar mini saia ou um modelo mais comprido, por exemplo. E adaptamos os produtos da Lupo ao que o consumidor vai querer naquele momento", diz ela. A empresa, conhecida principalmente pela produção de meias, tem 15 profissionais de estilo em sua equipe.
Todos os anos, a fabricante lança duas coleções de meia calça, quatro de meias e duas para os demais produtos, como algumas peças de roupas. Além do Brasil, a empresa vende seus artigos para outros 37 países. "As vendas externas respondem por 4% da nossa receita", explica o supervisor de exportações da Lupo, Marcos Crepaldi. No mundo árabe, os principais compradores são Arábia Saudita, Líbano e Catar.
Também produtora de meias fashion, entre outras peças, como roupas, a Scala é outra empresa que cresceu no Brasil e lá fora ao investir em moda. "Visitamos feiras internacionais, ficamos de olho nas tendências e produzimos sempre seguindo a cartela de cores em alta no momento", afirma o gerente nacional de vendas da Scala, Mauro Gonçalo.
No próximo verão, por exemplo, a marca apostará em tons mais cítricos para artigos como meias e blusas. "Teremos muita coisa em salmão, verde, lilás e assim por diante", diz Gonçalo.
Com 20% de sua receita ligada às exportações, a Scala vende, no mundo árabe, para mercados como o Kuwait. "O Oriente Médio é fundamental para o nosso negócio", explica Gonçalo. "São países consumidores de produtos tecnológicos e inovação", diz.
A serviço da criatividade
Ela também uma exportadora de moda brasileira para o mundo, a estilista baiana Márcia Ganem, dona de grife de mesmo nome, diz que, além do cuidado com o estilo, os produtores de roupa nacionais são valorizados pela criatividade e originalidade das peças. "Conseguimos apresentar produtos diferenciados", diz ela. "No nosso caso, trabalhamos com um material exclusivo, que são os materiais desenvolvidos por nós", conta.
Márcia se refere à renda de bilro feita de fibra de poliamida reciclada. O resultado desse trabalho de desenvolvimento é a produção de peças sofisticadas, mas com um toque rústico chique em nome da sustentabilidade que as clientes daqui e de fora adoram. "A nossa pesquisa está sempre ligada às tradições das artes, da moda e da cultura do Brasil", diz Márcia.
A última coleção da marca, que tem nas exportações 60% de sua receita, foi chamada de "Tramando Moda". No mundo árabe, os vestidos bordados que saem da fábrica da empresa em Salvador, Bahia, são vendidos na Arábia Saudita, Bahrein, Kuwait e Líbano, entre outros. Prova de que a moda brasileira, caprichada dos braços aos pés, já tem lugar de lugar de destaque nos mais variados mercados.
Leia amanhã na terceira reportagem da série: os árabes e a moda brasileira.

