Marina Sarruf
São Paulo – Para divulgar o trabalho de armazenagem e distribuição do Centro de Flores de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, uma delegação de empresários da região visitou alguns produtores de flores no Peru, Equador e Colômbia no final do ano passado. Esses países e o Brasil estão entre os maiores exportadores de flores e plantas ornamentais da América do Sul. Apesar do Brasil ainda não exportar o produto para o mercado árabe, o Oriente Médio está na lista de novos mercados a serem conquistados.
De acordo com o vice-presidente do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), Jordi Castan Bañeras, as exportações do setor brasileiro, que somaram US$ 29,63 milhões em 2006, ainda são pequenas em relação às vendas externas da Colômbia, de cerca de US$ 600 milhões, e do Equador, de US$ 180 milhões. No entanto, ele acredita que é uma questão de tempo para o Brasil chegar a novos mercados.
"Sabemos que os clientes árabes são estáveis e confiáveis, mas antes é preciso conquistá-los", disse Bañeras. De acordo com ele, o maior problema para exportar flores e plantas para os países árabes é a logística. "Nosso produto é exportado por via marítima ou aérea, mas o frete aéreo tem um custo muito alto para um produto de baixo valor agregado", completou.
De acordo com informações do site do Centro de Flores de Dubai, o centro pode ser uma alternativa atraente de transporte, armazenamento e distribuição de bens perecíveis para produtores e exportadores de flores da América do Sul. Com uma capacidade para armazenar 180 mil toneladas, o centro movimentou 3,475 mil toneladas de bens perecíveis nos dez primeiros dias de funcionamento, em julho de 2006. Sua construção custou US$ 70 milhões, segundo o site de notícias americano przoom.
O centro possui ainda um sistema fechado de refrigeração capaz de manter uma temperatura adequada para transporte de produtos entre o setor de carga e descarga e a zona de clima controlado. Ele está localizado em uma zona franca.
Durante a viagem à América Latina, o diretor de marketing do centro, Ibrahim Ahli, se reuniu com funcionários do poder público e com representantes do setor privado. "As agências exportadoras oficiais do Peru, Equador e Colômbia, além de muitos floricultores da América do Sul, pretendem expandir seu mercado para incluir a região dos países do Golfo usando Dubai como centro de redistribuição", disse.
A América do Sul é uma importante produtora de flores e outros bens perecíveis, principalmente devido às excelentes condições climáticas e do solo. Equador e Colômbia, por exemplo, são mundialmente famosos por suas flores, frutas e verduras.
"Tradicionalmente, a indústria sul-americana de bens perecíveis fornece seus produtos à Europa e à América do Norte. Agora, as companhias latino-americanas pretendem expandir o mercado exportando para outras regiões, capitalizando a qualidade e a exclusividade de sua linha de produtos", disse Ahli.
Segundo ele, os países latino-americanos estão interessados em fazer negócios com o Oriente Médio, a Comunidade dos Estados Independentes e a Ásia por causa da rápida expansão das economias dessas regiões. Isso se aplica principalmente ao Oriente Médio, onde a demanda criada pelo crescimento dos setores hoteleiro e de turismo, combinada ao aumento no poder de compra da população, fez crescer a demanda pelos produtos diferenciados que a América do Sul tem a oferecer.
"A tendência é que mais companhias da América do Sul venham para o DFC para se juntar às que já estão presentes na região do Golfo", concluiu Ahli.
Exportações brasileiras
As vendas externas de flores e plantas brasileiras apresentaram um crescimento de 15% no ano passado em relação a 2005. As mudas de plantas ornamentais foram os principais produtos vendidos, somando exportações de US$ 13,47 milhões. Os maiores importadores do Brasil foram Holanda (42,65%), Estados Unidos (18,85%) e Itália (17,52%). No total, as mudas foram embarcadas para 21 destinos.

