São Paulo – Centro de reexportação para Ásia, Europa, África e Oriente Médio, Dubai quer fomentar negócios com empresas brasileiras. Seja em compra e venda entre empresas de lá e de cá, seja levando as companhias nacionais a se instalarem em seu território. Esse foi o mote do seminário Negócios com Dubai, que aconteceu nesta segunda-feira (08), na capital paulista. Promovido pela Dubai Exports, agência de fomento às exportações do emirado, e pelo consulado-geral dos Emirados Árabes Unidos em São Paulo, o evento reuniu diversos empresários e executivos na sede da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP).
“Anunciamos nosso novo escritório, que abriu em São Paulo dois meses atrás. Essa é a primeira atividade que fazemos por meio do nosso escritório. Nosso objetivo é ajudar as empresas no Brasil a vir e encontrar empresas nos Emirados Árabes Unidos. Também estamos ajudando nossas empresas a vir para esta região e exportar seus produtos. Estamos procurando por compradores e também por empresas brasileiras que queiram se estabelecer em Dubai”, afirmou Mohammed Ali Al Kamali, vice-CEO da Dubai Exports.
Além de Kamali, o evento contou com apresentações de Ashraf Ali Mahate, diretor de Inteligência para Mercados de Exportação da Dubai Exports; Saleh Ahmed Alsuwaidi, cônsul-geral dos Emirados em São Paulo; Dener Souza, gerente da Emirates SkyCargo para a América do Sul, Khalid Al Janahi, consultor-geral do Dubai Islamic Economy Development Centre (DIEDC); Raveen Guliani, diretor de negócios da DP World; Franco Bosoni, diretor da Dubai Multi Commodities Center; e Michel Alaby, diretor-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira.
Mahate apresentou um panorama geral de Dubai e dos Emirados como centro de reexportação e mostrou as facilidades oferecidas para as empresas ali instaladas. “O custo de exportação de um contêiner a partir dos Emirados é de US$ 655”, apontou, comparando com o custo médio dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que supera os US$ 1 mil.
Ele destacou a variedade de atividades disponíveis no emirado. “Temos 24 ‘clusters’ em Dubai para todos os tipos de atividades”, afirmou. Entre os setores apontados há tecnologia, mídia, logística e transportes, entre outros.
Em entrevista à ANBA, Kamali afirmou que a abertura do escritório em São Paulo faz parte dos planos de expansão da Dubai Exports, que também mantém postos na Rússia, Índia, Arábia Saudita, Egito e Alemanha.
Outro ponto de interesse do emirado no País é criação de um centro de certificação halal com parâmetros mundiais. A certificação halal assegura que um determinado item foi produzido de acordo com tradições islâmicas. “Queremos colocar um centro de acreditação halal no Brasil que obedeça aos critérios internacionais”, destacou Janahi, do DIEDC. Segundo ele, 57 países no mundo já seguem os parâmetros internacionais da certificação halal.
“O Brasil é um importante mercado [fornecedor] para nós na produção de carne bovina e de frango no setor halal. Isso [a abertura de um centro] está de acordo com a nova visão do governo, que é converter Dubai em um ‘hub’ de comércio halal”, completou Kamali.
Para Alsuwaidi, o interesse da Dubai Exports no País, aliado à abertura do consulado-geral na capital paulista em 2013, mostram a importância dada pelos Emirados aos negócios com o Brasil.
“Consideramos o Brasil um grande e estratégico parceiro, especialmente no campo econômico e de comércio. A decisão dos Emirados Árabes em ter um consulado aqui reflete o quão importante é São Paulo e o Brasil para nosso país. Esses escritórios são muito importantes para construir pontes entre os países”, ressaltou o diplomata.
A agenda da delegação da Dubai Exports segue na terça-feira (09), com eventos na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).


